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SÃO PAULO – As operadoras de cartões vivem um momento delicado na bolsa. Nas vésperas da divulgação de seus resultados, os analistas não se mostravam muito otimistas, focando as dificuldades que seriam enfrentadas com maior concorrência e queda nas margens, resultado da queda nas taxas cobradas por estabelecimentos comerciais – o famoso MDR (Merchant Discount Rate). Mesmo após a divulgação de seus números trimestrais, o sentimento não parece ter melhorado e o Bank of America Merrill Lynch espera pressões adicionais para Cielo (CIEL3) e Redecard (RDCD3).
De acordo com a equipe de análise, composta por Jorg Friedemann, Jose Barria, Thiago Mendes e Renato Schuetz, o cenário é desafiador para as duas empresas. Com expectativas nada animadoras, o grupo reiterou a recomendação de underperform (perspectiva de desempenho abaixo da média do mercado) para as duas ações e rebaixou o preço-alvo para doze meses de Cielo – de R$ 15,00 para R$ 14,00 – e Redecard – de R$ 24,00 para R$ 23,00.
Com as novas estimativas, CIEL3 apresenta dowside (potencial de desvalorização) de 0,50%, com base na última cotação de fechamento. Já a RDCD3, nas mesmas circunstâncias, apresenta um potencial de valorização nulo.
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Queda nas taxas e preços
Segundo os analistas do BofA, as empresas devem enfrentar dificuldades porque o MDR e os preços pós-exclusividade devem cair mais rápido do que o antecipado anteriormente. Sendo assim, mesmo que haja um aumento na CAGR (taxa composta de crescimento anual, na sigla em inglês) de 15% nos próximos 10 anos, a queda nas tarifas deve ofuscar esse desempenho e limitar os lucros das operadoras. Essa compressão nos preços pós-exclusividade deve ser mantida até 2012.
No cenário base do banco, o MDR deve cair gradativamente, atingindo 0,90% em 2013 para ambas as empresas. A receita gerada com os preços praticados após o período de exclusividade deve recuar de maneira expressiva até 2012, atingindo 8% das receitas operacionais para Cielo e 6% para a Redecard em 2020. Os analistas também traçaram outros tipos de cenários, evidenciando o risco assimétrico que envolve as duas operadoras.
Demais cenários
Em um panorama mais otimista, o MDR pode atingir 1,05% em 2013 e os preços pós-exclusividade podem manter uma trajetória estável até 2020, sustentando uma margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) de 53% para Cielo e de 50% para Redecard. Assim, o valor justo por ação seria de R$ 18,00 para Cielo e de R$ 29,00 para Redecard.
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Todavia, há a possibilidade de que as coisas sejam piores do que o esperado. Nesse caso, os preços podem convergir para zero até 2020, levando a uma margem Ebtida de 33% e 34% para Cielo e Redecard, respectivamente. Logo, o valor justo para as ações seria de apenas R$ 8,00 para Cielo e de R$ 15,00 para Redecard, o que certamente configura-se como uma situação muito mais dramática para ambas as empresas.
Pressão vem também da competitividade
Para tornar as perspectivas ainda menos otimistas, o BofA avalia que a pressão não deve vir somente dos fatores já apresentados, mas também da entrada de novos competidores. Segundo os analistas, a competição acirrada deve pressionar Cielo e Redecard, já que as novas empresas podem adicionar uma nova dinâmica para as futuras negociações.
Até agora, os impactos têm sido praticamente nulos, porém, conforme nomes de peso como Santander, Citi/Elavon, Banrisul/CSN e Global Payments entrarem no mercado, a pressão sobre preços será maior e sua deteriorização também.