Planejamento tributário: uma conta para a aposentadoria que pouca gente faz – e que pode aumentar sua renda

Quem sabe usar a seu favor os benefícios fiscais dos planos de previdência pode aumentar seus retornos sem precisar economizar mais, ou correr mais riscos

Notas de reais (Shutterstock)
Notas de reais (Shutterstock)

SÃO PAULO – Poupar é fundamental. Investir em aplicações com perfil de longo prazo é importante. Mas existe outro aspecto que faz muita diferença na organização financeira para a aposentadoria: o planejamento tributário.

Quem sabe usar a seu favor os benefícios fiscais dos investimentos de previdência disponíveis no mercado pode aumentar seus retornos sem precisar economizar mais, ou correr mais riscos.

Como fazer isso? O primeiro passo é aproveitar ao máximo as vantagens do PGBL, um dos tipos de planos de previdência existentes hoje. Alguns consultores só indicam o PGBL para quem faz a declaração de imposto de renda no “modelo completo”, porque o investimento nesse tipo de plano pode ser deduzido da base de cálculo do IR até o limite de 12% da renda tributável.

Na declaração simplificada, a dedução é padronizada. Assim, os investimentos em PGBL não são considerados na hora de calcular os descontos.

Mas uma conta da XP Seguros e Previdência mostra que a grande maioria das pessoas pagaria menos impostos se investisse num PGBL e passasse a fazer a declaração no modelo completo para deduzir essa aplicação.

De acordo com o cálculo, quem recebe mais de R$ 2,3 mil por mês tem vantagens caso aplique 12% de sua renda bruta num PGBL e faça a declaração completa – ainda que não tenha mais nenhuma despesa a ser deduzida, além da contribuição ao INSS (vale lembrar que, na declaração completa, é possível deduzir despesas com educação, saúde e dependentes, além das aplicações em PGBL).

O corte é feito em R$ 2,3 mil por dois motivos: quem tem uma renda mensal de até cerca de R$ 1,9 mil é isento de imposto de renda; e, entre esse valor e R$ 2,3 mil, o benefício fiscal de uma declaração no modelo completo é muito pequeno.

“Esse tipo de conta mostra que o planejamento tributário é tão relevante quanto uma boa escolha de investimentos na hora de formar uma poupança para o futuro”, diz Roberto Teixeira, responsável pela XP Seguros e Previdência. “Uma boa assessoria no planejamento para a aposentadoria é fundamental.”

Na prática

Veja um exemplo hipotético. A tabela abaixo mostra quanto um investidor com renda mensal de R$ 10 mil (que, nesse cálculo, totaliza R$ 120 mil por ano)(1) e que contribui para o INSS pagaria de imposto de renda em três situações diferentes:

Investidor que faz a declaração de IR no modelo simplificado Investidor que faz a declaração de IR no modelo completo, não deduz despesas e aplica em PGBL Investidor que faz a declaração de IR no modelo completo,  deduz despesas e aplica em PGBL
Renda anual R$ 120.000,00 R$ 120.000,00 R$ 120.000,00
Contribuição ao INSS Não dedutível R$ 7.708,07 R$ 7.708,07
Dedução simplificada R$ 16.754,34(2) Não se aplica Não se aplica
Gastos com educação, saúde e dependentes Não dedutível Não tem R$ 8.377,20
Investimento em PGBL Não dedutível R$ 14.400,00(3) R$ 14.400,00(3)
Base tributável R$ 103.245,66 R$ 97.891,93 R$ 89.514,73
IR na fonte R$ 20.447,96 R$ 20.447,96 R$ 20.447,96
IR devido R$ 17.960,24 R$ 16.487,96 R$ 14.184,23
Valor a receber de restituição de IR R$ 2.487,72 R$ 3.960,00 R$ 6.263,73

(1) O 13° salário não entra na conta porque é uma renda com tributação exclusiva definitiva na fonte
(2) A dedução é padronizada e corresponde a 20% da renda, até o limite de R$ 16.754,34
(3) Equivalente a 12% da renda
Fonte: XP Seguros

Veja que o valor a receber de restituição de IR aumenta da esquerda para a direita. A tabela mostra que, se esse investidor do exemplo hipotético aplicasse num PGBL 12% de sua renda anual – o equivalente a R$ 14.400 – e fizesse a declaração no modelo completo, economizaria pouco mais de 1.470,00 por ano mesmo que não tivesse nenhuma despesa a deduzir (o valor é a diferença entre R$ 3.960 e R$ 2.487,72).

A economia aumenta para quase R$ 4.000,00 caso ele tenha gastos a deduzir em valor correspondente à metade do desconto da declaração simplificada. “Nessa situação, o investidor economiza o equivalente a uma semana e meia de salário por ano, só com o planejamento tributário”, diz Roberto Teixeira, da XP Seguros.

No caso de um investidor que não tenha imposto a restituir, mas tenha de fazer pagamentos à Receita Federal, a aplicação em PGBL reduz o valor devido.

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Editora-chefe do InfoMoney, escreve e edita matérias sobre finanças e negócios. É co-autora do livro Fora da Curva, que reúne as histórias de alguns dos principais investidores do país.