Com concorrência acirrada, Cielo admite que quarto trimestre será pior

No entanto, CEO da companhia enxerga claras vantagens competitivas para a empresa diante de ingressantes no mercado

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SÃO PAULO – Para Rômulo de Mello Dias, CEO (Chief Executive Officer) da Cielo, o novo cenário competitivo instalado para a Cielo (CIEL3) em julho de 2010 é um desafio. Desde 1º de julho deste ano, o mercado passou a ser aberto, e a Cielo e a Redecard (RDCD3) passaram a capturar indistintamente as bandeiras Visa e MasterCard.

Por causa desse novo ambiente competitivo, em que a disputa é mais acirrada do que era antecipado, principalmente no segmento de grandes varejistas, Dias admitiu que o resultado da companhia no quarto trimestre deverá ser pior do que o histórico e mesmo do que o que a companhia esperava há cerca de quatro meses, embora não tenha detalhado estimativas.

Em encontro com investidores e analistas promovido pela Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado), o CEO da Cielo declarou ainda que acredita que as incumbents, ou as participantes que já estão no mercado, encontram uma vantagem natural não desprezível nessa competição.

Após o Santander ter ingressado nesse mercado com a GetNet, na quarta-feira (8) foi a vez da Credicard anunciar operação no mesmo sentido, ao assinar um contrato com a Elavon, companhia subsidiária da Bancorp e líder mundial em fornecimento de meios de pagamento, para a criação de uma empresa focada em oferecer soluções de pagamento ao mercado brasileiro.

Embora respeite todos os concorrentes, Rômulo Dias exaltou que a Cielo tem mais de 1 milhão de clientes pessoa jurídica e parceria com cinco dos sete maiores bancos do país (além dos acionistas controladores, Banco do Brasil e Bradesco, a Cielo firmou acordo também com a Caixa Econômica Federal, o Banco Safra e o HSBC). “Não é nada que vá nos deixar de cabelo em pé”, declarou.

Fechamento de capital não está na agenda
Rômulo Dias também não acredita que a prestação de serviços de pagamento é uma atividade típica de banco. Historicamente, explicou o executivo, cada banco tinha sua adquirência (a empresa que prestava o serviço), mas era uma época em que não se ganhava dinheiro com isso, porque havia pouca aceitação de cartões em um contexto de hiperinflação.

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Mesmo num mercado fragmentado como é o norte-americano, há concentração em três ou quatro empresas líderes. Assim, o CEO descartou essa volta de uma adquirência por banco e disse que não está na agenda da Cielo o fechamento de capital (se a operação fosse incorporada a um dos dois controladores, o lojista não mais poderia receber movimento com cartões de outros bancos).

A afirmação enfática de que fechamento de capital não está nos planos da Cielo se deve em grande parte a uma questão levantado por analistas recentemente em relação à Redecard, já que a desvalorização recente das ações da companhia, negociadas atualmente cerca de R$ 5 abaixo do preço do da oferta inicial de ações, poderia levar o Itaú Unibanco a adotar essa atitude. 

Oportunidades
Se as perspectivas para o curto prazo não são tão animadoras, Rômulo Dias lembra que a companhia deverá continuar a se expandir à medida que o crédito aumenta e a taxa de desemprego cai, pois assim as pessoas se sentem mais seguras para consumir. Além disso, a bancarização do país, com crescimento de novas contas correntes de 6,4% em 2009 sobre 2008, deve contribuir para fortalecer o uso de cartões de débito e crédito, especialmente porque o nível de penetração no Brasil ainda é baixo se comparado ao de outros países, como EUA e Reino Unido.

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A expectativa é que cada vez mais os indivíduos substituam o dinheiro por cartão, mesmo em tickets baixos, de R$ 5, por exemplo. Essa substituição também deverá ocorrer pelo uso de cartões em tecnologias emergentes, como pagamento por celular, conforme a joint ventura anunciado com a Oi.

As tecnologias emergentes envolvem ainda a utilização do celular como terminal POS (as máquinas utilizadas pelos lojistas para recebimento de cartão). Para tanto, foi lançado há cerca de um mês um aplicativo para iPhone, iPad e iPod touch que permite, após cadastro na Cielo, que profissionais liberais utilizem o celular para o pagamento dos serviços prestados. Em cerca de 3 semanas, foram 11 mil downloads na loja virtual da Apple.