Quem deseja adquirir um veículo a prazo sem ter que dar uma entrada e pagar juros de um financiamento, deve considerar a possibilidade de fazer um consórcio de carro.
Em tempos de juros altos, a modalidade tem sido cada vez mais procurada, seja pela impossibilidade de comprar à vista ou mesmo para não sacrificar reservas financeiras.
Por si só, o consórcio de carro é simples e acessível, pois existem diversas opções de valores e prazos. Mas é preciso conhecer as peculiaridades da operação, para que se possa fazer a escolha mais adequada a cada contexto e objetivo financeiro.
Neste guia, reunimos as principais informações sobre esse tipo de consórcio. Logo, se você está pensando em comprar um veículo ou trocar o seu, continue a leitura e saiba mais sobre a modalidade.
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O que é consórcio de carro?
O consórcio de carro, assim como outros tipos de consórcio, é uma forma de compra programada, na qual um grupo de pessoas se reúne para comprar um veículo.
Para viabilizar essa compra, cada participante do grupo paga uma parcela mensalmente. O somatório das parcelas forma o chamado fundo comum, valor que será utilizado por todos os participantes em determinado momento.
Todos os meses, ocorre o sorteio da carta de crédito entre os participantes. Ao receber a carta, a pessoa consegue adquirir o bem, que pode ser um carro de passeio (popular ou de luxo), moto, utilitário, caminhão, novo ou usado, de acordo com o que foi estipulado no contrato de adesão ao grupo.
Ou seja, as parcelas que os participantes pagam são devolvidas aos poucos ao grupo, pois um ou mais são contemplados todos os meses. Esta é a lógica do consórcio.
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Como funciona o consórcio de carro?
O funcionamento do consórcio envolve diversas etapas, que vão desde a adesão do participante ao grupo até a contemplação e recebimento do bem. Acompanhe.
Grupo de consórcio
O processo inicia com a formação do grupo de consórcio, que reúne pessoas (físicas ou jurídicas) que têm o mesmo objetivo: adquirir o bem em questão.
Esses grupos devem funcionar de acordo com normas estabelecidas pelo Banco Central, e quem faz a sua gestão são as administradoras de consórcios autorizadas pelo órgão.
Para que uma pessoa possa aderir a um grupo de consórcio, ela precisa assinar o contrato de participação. Esse é o documento que trará todas as disposições sobre o consórcio de carro – prazo, periodicidade dos pagamentos (normalmente mensal), taxas e demais especificidades.
Outro aspecto sobre a adesão do participante é que ela pode ocorrer no início de um grupo ou quando ele já está em andamento. No primeiro caso, a administradora precisa fazer a primeira assembleia geral ordinária, que marca o início do grupo de consórcio. Já nos grupos em andamento, é possível entrar quando se transfere uma cota ou quando ainda existem cotas não vendidas.
Por exemplo, quando um participante não consegue mais pagar as parcelas do consórcio, ele pode transferir a sua cota com a autorização da administradora. Essa situação é bastante comum, e acaba sendo uma das maneiras de ingresso no grupo.
Em relação à cota não vendida (ou vaga), o participante deverá pagar o valor total das mensalidades que o grupo quitou desde o seu início. Neste caso, será preciso negociar diretamente com a administradora a possibilidade de ingresso e a forma de pagamento.
Todas as condições de transferências de cotas devem constar no contrato de adesão, bem como possíveis custos associados à transação.
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Lances
O sorteio é a forma tradicional de receber a carta de crédito.
Mas quando o participante não é sorteado, ele pode tentar antecipar o recebimento da carta por meio de lances. A cada mês, quem oferece o maior lance, leva a carta de crédito, assim como acontece em um leilão.
O consorciado somente pagará o valor do lance se a sua oferta for a vencedora no mês. Neste caso, a quantia será deduzida do saldo que ele ainda tem a pagar pela carta de crédito.
Caso haja empate no lance, a administradora procederá de acordo com regras estabelecidas para a situação, que devem constar no contrato de adesão. Valores máximos e mínimos de oferta também deverão ser previamente definidos.
Outra peculiaridade sobre o lance é a possibilidade de fazê-lo com recursos próprios ou antecipando parte da carta de crédito. No segundo caso, a negociação também é conhecida como lance embutido – quando se recebe o valor da carta descontado da oferta.
Por exemplo, imagine um consórcio de carro com carta de crédito de R$ 150 mil. Se o participante optar por um lance embutido de R$ 50 mil e vencer a oferta, receberá R$ 100 mil na contemplação.
Contemplação
No consórcio, a contemplação se dá quando o consorciado recebe o valor da carta de crédito, seja por sorteio ou por lance.
Com o valor em mãos, ele tem a opção de escolher o tipo de bem de acordo com a natureza do consórcio. Por exemplo, no consórcio de carro, é possível utilizar a carta de crédito para adquirir veículos novos ou usados, de montadoras diferentes, motos, e assim por diante.
Para liberar os recursos, as administradoras realizam uma análise de crédito, para evitar que uma possível inadimplência prejudique os demais integrantes do grupo. Nessa etapa, o contemplado deverá fornecer documentos pessoais e informações sobre sua renda, a fim de comprovar que conseguirá continuar pagando as próximas parcelas.
Cada administradora possui as próprias regras de avaliação de risco, e é importante conhecê-las antes de contratar o consórcio.
Reajustes
Para garantir o poder de compra dos participantes, o valor da carta de crédito e as parcelas do consórcio sofrem reajustes, por conta da inflação ou da variação de preço do bem.
No consórcio de carro, normalmente se utiliza o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para correção dos valores. Outro fator que influencia no reajuste são as mudanças nas tabelas de preços das montadoras.
Ou seja, se a pessoa escolhe um determinado modelo ao entrar no grupo e não é contemplada por lance ou sorteio no mesmo ano, passará, no ano seguinte, a valer o valor da nova versão do automóvel, moto ou caminhão. Se o valor do carro subir, a prestação mensal vai aumentar proporcionalmente, de forma que a carta de crédito seja suficiente para a compra daquele bem.
Qual a diferença entre consórcio e financiamento?
Uma das principais diferenças entre consórcio e financiamento é a forma de acesso ao bem.
Normalmente, o financiamento exige uma entrada, e a posse do bem é imediata. Já no consórcio, o participante paga parcelas mensais iguais do início ao fim do grupo, sem os típicos reforços de alguns financiamentos. E só terá acesso ao bem quando tiver a carta de crédito em mãos.
Outro ponto muito importante é o custo de cada modalidade ao longo do tempo. Segundo levantamento do Banco Central, a taxa de juros média do financiamento de veículos estava em 2,10% ao mês em março de 2025. Além dos juros, as instituições financeiras costumam cobrar outras taxas, como as de abertura de crédito e seguro da operação.
O consórcio, por sua vez, não possui juros. O principal custo da modalidade é a taxa de administração, um percentual do valor do bem que é somado à carta de crédito e diluído nas prestações. No consórcio de carro, atualmente a taxa de administração média é de 20% para veículos leves e de 15% para pesados (caminhões, máquinas e implementos rodoviários).
Há também o fundo de reserva nos consórcios, que normalmente variam entre 5% e 6% do valor do bem. Esse fundo existe para garantir que o grupo não tenha prejuízo caso algum participante fique inadimplente. Depois da contemplação de todos, o saldo do fundo de reserva (se houver) é devolvido aos consorciados de forma proporcional à participação de cada um.
Mesmo não sendo mais obrigatório, algumas administradoras de consórcio também cobram o seguro prestamista.
Vantagens e desvantagens do consórcio de carro
Uma das principais vantagens dos consórcios é não precisar de entrada. Isso torna a operação acessível para muitas pessoas que não conseguiriam pagar um financiamento e alivia o fluxo de caixa de quem não quer se descapitalizar.
Dependendo da administradora, é possível utilizar a carta de crédito com flexibilidade para adquirir veículos novos, usados, de montadoras diferentes, e assim por diante.
Mesmo com os reajustes periódicos, fazer um consórcio sai mais barato do que pagar um financiamento. Como vimos, o valor das parcelas é basicamente o valor do bem somado à taxa de administração e dividido pelo número de meses.
Por outro lado, quem não tiver condições de dar um bom lance para antecipar a contemplação, precisa contar com a sorte para ter a posse do bem rapidamente. Outra desvantagem é o risco de inadimplência, que pode afetar o grupo atrasando as contemplações ou, no pior cenário, impossibilitando a entrega da carta de crédito. Por isso, é muito importante conhecer o histórico da administradora antes de contratar um consórcio.
Quanto tempo dura um consórcio de carro?
Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o prazo médio de duração de um consórcio de carro é de 80 meses. Dependendo da administradora e do perfil do grupo de consórcio, esse prazo pode ser maior ou menor.
Como escolher o melhor consórcio de carro?
Seja para escolher o consórcio de carro, imobiliário, ou de qualquer outro tipo, alguns dos principais aspectos a se observar são os seguintes:
- Orçamento pessoal: O primeiro passo é a pessoa avaliar sua situação financeira para entender se terá condições de arcar com as despesas mensais do consórcio. Especialistas financeiros recomendam que a renda comprometida com dívidas (o que inclui as parcelas do consórcio) nunca ultrapasse 30% do total. E também é preciso pensar em novas despesas que virão com o carro, como IPVA, seguro, combustível, estacionamento, entre outros. Tudo isso entra na conta do orçamento pessoal.
Grupo: de acordo com o perfil do grupo, é possível projetar o lance necessário para obter a contemplação. Especialistas podem dar orientações sobre esse aspecto no momento da negociação do consórcio.
Administradora: no site do Banco Central, é possível ver se a administradora tem autorização para funcionar e eventuais reclamações de consorciados.
Custos: além da taxa de administração, é preciso entender se existem outros custos e em que hipóteses eles podem ocorrer – este é um importante ponto de atenção na hora da escolha.