BBAS3 e PETR4 não devem ter queda relevante hoje e, se cair muito, é hora de comprar, diz gestor da XP

Sobre Sabesp, Marcos Peixoto afirma que possível privatização já está 'no preço' e que há desafios para empresa deixar de ser estatal

Bruna Furlani Lucas Sampaio

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A vitória do candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, pode até trazer certo receio a agentes financeiros sobre possíveis intervenções nas estatais com capital aberto na Bolsa. No entanto, a avaliação é que empresas como Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR3); (PETR4) estão negociando a múltiplos muito baixos, – algumas perto do menor valor histórico –, e que uma eventual queda mais expressiva das ações pode ser oportunidade de compra.

A afirmação foi feita por Marcos Peixoto, gestor da XP Asset, durante live promovida pelo InfoMoney nesta segunda-feira (31). Para o executivo, uma queda mais expressiva não pode ser descartada, mas a maior probabilidade é que o recuo não seja tão expressivo na sessão de hoje.

“Com a vitória do Lula, a queda de hoje não vai ser relevante, algo entre 5%, 6%, 7%. Agora, se o Bolsonaro tivesse ganhado, a alta poderia ser relevante”, diz. “Poderia ver as ações subindo de 30% a 40% num só dia”, acrescenta.

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Ao olhar para os indicadores, o gestor afirma que ambas estão com múltiplos atrativos. No caso do Banco do Brasil, por exemplo, o múltiplo preço/lucro está em 3,8 vezes, segundo os cálculos da casa. “É o menor múltiplo que já negociou na história”, diz. “Para voltar para a média histórica que ele [banco] negociou nos anos em que o PT esteve no poder, [o papel] teria que subir 30%”, completa.

Já a Petrobras está com um múltiplo EV/Ebitda de 2,3 vezes, também menor múltiplo que ela já negociou, nas contas da XP Asset. Além de indicadores mais atrativos, o profissional explica que os dividendos devem seguir fortes. A casa projeta mais 20% de dividendo com a administração atual e há possibilidade de que a companhia entregue um dividendo de 30% no ano que vem.

Mesmo se houver alguma alteração em relação ao que a companhia está entregando agora e o percentual oferecido de dividendos cair para 10% em 2023, por exemplo, o gestor destaca que será um dos maiores dividendos pagos por petrolíferas na comparação com concorrentes internacionais, como Shell e Exxon Mobil, que oferecem cerca de 5%.

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Já ao comentar sobre a Sabesp (SBSP3), empresa paulista de saneamento, o gestor acredita que os papéis deverão ser positivamente afetados pelas eleições, com a vitória de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O candidato já se mostrou favorável à privatização da empresa anteriormente.

Embora acredite que os papéis da Sabesp podem ter forte alta nesta segunda-feira, a avaliação do profissional é que a companhia “já está no preço”. Ou seja, não parece ver uma grande oportunidade de compra.

“Não é uma operação fácil de fazer, custaria R$ 40 bilhões para vender”, diz. O executivo afirma ainda que o processo de privatização da empresa é lento e que não vai se resolver nos primeiros 12 meses.

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Outro detalhe está no risco: segundo ele, é preciso colocar na conta que o governo pode mudar a cada quatro anos, e que a regulamentação do setor é “frágil”.

Para Peixoto, seria preciso mudar a regulamentação para dar maior segurança jurídica ao processo. Uma alternativa seria fazer isso de forma parecida com o que foi feito com a Eletrobras, transformando a empresa em uma ‘corporation’.

Tributação de dividendos

Já ao comentar sobre a possibilidade de tributação de dividendos, o gestor afirma que o mercado já aceita melhor o tema e que havia uma expectativa que a questão fosse trazida à tona novamente tanto por Lula (PT) quanto por Bolsonaro (PL).

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Na avaliação de Peixoto, a tributação é menos “tabu” do que era antigamente. A grande questão agora é entender como ela será feita, resume o executivo.