Pesando crescimento e competição, BB atualiza target de Cielo e Redecard

Analista compara cenário para as companhias, vê queda na participação das duas e recomenda compra dos papéis

Publicidade

SÃO PAULO – Até que ponto o crescimento robusto do faturamento da indústria de cartões compensa a perda de receitas gerada pelo atual cenário competitivo? Partindo dessa pergunta, a analista do Banco do Brasil Marianna Waltz analisa o mercado de meios de pagamentos e atualiza projeções para Redecard (RDCD3) e Cielo (CIEL3).

No geral, a analista acredita que os grandes drivers de crescimento para as empresas – aumento do consumo privado, cultura de uso de cartões de pagamento e bancarização – devem permanecer em cena nos próximos anos e neutralizar a queda nas receitas de aluguéis de equipamentos e diminuição do net MDR (taxa cobrada aos estabelecimentos pelas credenciadoras de cartões por operação).

O novo preço-alvo para Cielo é de R$ 20,60 para junho de 2011, representando upside de 30% frente o fechamento de 16 de agosto. Para a Redecard, o preço-alvo de R$ 31,70 para o final do ano representa upside de 24% na mesma base comparativa. A recomendação para os papéis das duas empresas é de compra.

Mercado
Marianna acredita em um cenário de aumento do consumo e maior penetração dos cartões de pagamento (atualmente em 22,5%, a projeção é que chegue a mais de 33% em 2013). Ela aponta ainda para particularidades do mercado brasileiro ante o norte-americano, com poucos players e características de oligopólio, enquanto lá fora há vários concorrentes. No Brasil, o Net MDR também é maior.

“Acreditamos que o mercado brasileiro ainda esteja longe da maturidade”, observou a analista. Ela considera crescimento de 21,4% para o faturamento da indústria neste ano, incluindo private label, sendo 22,4% para o mercado de crédito e 21,9% para o débito. Os CAGRs (taxa composta de crescimento anual médio) são de 17,9% e 17,5% para cada um, respectivamente.

Fim da exclusividade
Com relação ao fim da exclusividade, ela deve pressionar os resultados, levar a perda de market share das duas maiores empresas – que atualmente concentram 94% do mercado – e quedas no net MDR e nas receitas de aluguel e POS. Na opinião da analista, as adquirentes devem evitar uma guerra de preços, mas o impacto é inevitável.

Continua depois da publicidade

Se os efeitos já estão precificados no mercado, as negociações em andamento com os estabelecimentos comerciais não são muito transparentes. Enquanto os de maior porte olham sobretudo para preço, para os pequenos e médios pesa mais o relacionamento e o pacote de serviços com bancos comerciais.

Marianna estima que em cinco anos, a participação de Redecard e Cielo deve cair para 84,5%, mas não acredita que um novo player possa dividir o mercado em três. A parceria entre a Cielo e o HSBC, mais do que o volume da captura em si, foi importante por representar a saída de um potencial concorrente.

Comparação
Outro ponto decorrente do fim da exclusividade é a importância dos bancos controladores, que fica reforçada. O foco, que estava na bandeira, passou para o relacionamento com o estabelecimento comercial. E, neste quesito, a analista acredita que a Cielo leva vantagem: os controladores BB e Bradesco tem maior capilaridade que o Itaú Unibanco, e as demonstrações de apoio também tem sido mais contundentes.

Continua depois da publicidade

Entretanto, no quesito Antecipação de Recebívies, que é a principal diferença nas receitas operacionais das duas empresas, Marianna vê a Redecard na dianteira, uma vez que seu controlador tem critérios de estabelecimento de trava mais flexíveis.

Outro ponto em que a Redecard tem mais a ganhar é no quesito parceiras. Há áreas, sobretudo no Nordeste, em que não está presente mas já há afiliação maciça da Hipercard; já no caso da Cielo, a intersecção com as áreas da parceira Amex é de quase 100%.