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Fator avalia como mudanças demográficas impactam ações de saúde e seguros

Envelhecimento da população e menor crescimento trazem efeitos positivos e negativos; veja as recomendações dos analistas

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SÃO PAULO – O ritmo de crescimento da população brasileira deve diminuir, e a população deve ficar cada vez mais velha: estes são são os principais prognósticos traçados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). A tendência, segundo explicam analistas da Fator Corretora em relatório, deverá ter impactos diversos sobre os setores de saúde e seguros no Brasil.

Segundo o estudo sobre tendências demográficas no Brasil feito pelo Ipea, que tomou como base números da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2009 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o ritmo de crescimento da população vem diminuindo, ao passo que mudanças importantes vêm ocorrendo em sua distribuição etária.

Novo quadro demográfico
Um fator que vem sustentando tal tendência dupla é a trajetória de queda nas taxas de fecundidade das brasileiras. As mulheres de renda mais alta no País mostram taxas menores que a de muitos países desenvolvidos, como Itália, Espanha e Japão. Paralelamente, a fecundidade também vem caindo nas classes mais baixas. Em 1992, o diferencial entre mulheres de renda mais baixa e de renda mais alta era de 3,4 filhos; em 2009, o número caiu para 2,4 filhos.

Com isso, o Ipea estima que a população brasileira atinja seu pico em 2030, com aproximadamente 206,8 milhões de pessoas, para em seguida, trilhar movimento de queda em seu contingente, devendo registrar em 2040 um total de 204,7 milhões de brasileiros.

Soma-se ainda ao cenário o aumento da participação da população mais velha. De acordo com as projeções do Ipea, a partir de 2030, “os únicos grupos que deverão apresentar taxas positivas de crescimento são aqueles com idade superior aos 45 anos”, destacam Iago Whately e Caio Walter, analistas que assinam o relatório da Fator a respeito do tema.

Tal tendência não é nova, pelo contrário. Em 1992, a população com mais de 80 anos de idade correspondia a apenas 0,9% do total; em 2009, a fatia aumentou para 1,6%. “Em contrapartida, a participação do grupo jovem (15-29 anos) atingiu o pico em 2000 e a expectativa é que decline substancialmente a partir de 2010”, diz a dupla de análise da Fator.

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Impactos
As projeções são interessantes, mas qual o impacto disso sobre o mercado? Para Whately e Walter, a resposta não é simples. De um lado, “a tendência favorece os segmentos de medicina diagnóstica, pois a necessidade de exames aumenta com a idade; e produtos de consumo para a saúde, cujo consumo per capita também cresce com a idade”, escrevem em relatório. 

Em contrapartida, há segmentos que devem sair prejudicados pelas mudanças no quadro demográfico brasileiro. Um deles, dizem os analistas, é o de operadoras de planos de saúde, já que a carteira de indivíduos com maior taxa de sinistralidade deve aumentar. “A tendência também é negativa para seguradoras, em função do maior tempo que os beneficiários receberão a contrapartida das contribuições aos planos de previdência”, afirmam em relatório.

Recomendações
A Fator aproveitou o relatório para reforçar suas recomendações nos setores de saúde e seguros. Segundo a classificação “atraente”, espera-se que o retorno total da ação seja superior à variação do Ibovespa. Do lado oposto, o ativo visto como “não atraente” deve mostrar desempenho abaixo ao do principal índice de ações da bolsa brasileira. Por fim, a recomendação de manutenção implica uma performance em linha com a do benchmark.

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 Recomendações nos setores de saúde e seguros 
Papel   Recomendação     Preço-alvo     Upside*
Dasa Atraente R$ 17,70 -13%
Porto Seguro Atraente R$ 22,00 -11,6%
Amil Manutenção R$ 15,20 -14,94%
Drogasil Manutenção R$ 37,50 -24,24%
Hypermarcas Manutenção R$ 25,70 -6,17%
Profarma Manutenção R$ 17,80 +5,64%
Tempo Participações Manutenção R$ 4,60 -16,6%
Fleury Não atraente R$ 19,20 -8,57%
Odontoprev Não atraente R$ 15,70 -33,4%
Sul América Não atraente R$ 14,10 -25,04%

*Potencial de valorização baseado no fechamento de 15 de outubro