A maior rede de hospitais de capital aberto no país, a Rede D’Or (RDOR3), divulgou seus números referentes ao segundo trimestre de 2022 (2T22), com um lucro líquido de R$ 358,4 milhões no segundo trimestre de 2022, número 25% menor do que o registrado no mesmo período de 2021. As ações RDOR3 registram queda de 3,59%, a R$ 37,60, por volta das 16h50 (horário de Brasília) na sessão desta terça-feira (16).
Na avaliação da Levante Ideias de Investimento, a companhia apresentou um resultado fraco, com crescimento de receitas, mas que não foi suficiente para contrabalancear seu baixo desempenho de lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) e das margens operacionais.
“A melhora das taxas de ocupação e o contínuo crescimento acelerado do segmento de oncologia são os pontos positivos dos dados divulgados”, aponta. Os analistas estimam que, no médio prazo, a empresa deve aumentar as sinergias com as fusões e aquisições (M&As), principalmente da fusão com SulAmérica (SULA11).
No trimestre, os custos dos serviços prestados foram de R$ 4,4 bilhões, aumento de 13% em relação ao 2T21. A Levante ressalta que este avanço foi um reflexo da consolidação dos M&As concluídos nos últimos 12 meses, que detiveram um efeito negativo através de um maior custo com pessoal e de serviços realizados por terceiros.
Outro fator negativo fora proveniente da sazonalidade ao número de cirurgias e de uma maior quantidade de pacientes no período. Vale salientar que tal movimento também foi responsável pela elevação de 7,9% na base trimestral da receita líquida. “De toda forma, é um aspecto importante justapor que todas as linhas de custos aos serviços prestados apresentaram elevação, fornecendo uma perspectiva de alerta”, apontam os analistas da casa de research.
Apesar do movimento de verticalização, a companhia ainda não conseguiu extrair todas as sinergias possíveis aos M&As de outrora. “Ademais, além de monitorarmos a evolução das margens e crescimento das receitas, devemos acompanhar a evolução da aquisição da SulAmérica, que até o momento aguarda aprovação dos órgãos responsáveis. De toda forma, foram expressos níveis de endividamento e indicadores operacionais pouco favoráveis”, segundo a Levante.
Os analistas delineiam que não é uma tarefa fácil consolidar esses processos. Entretanto, é um movimento acertado à verticalização da empresa, porém veem um futuro com movimentos pressionados pelas margens das decisões da companhia de outrora e mesmo da forte concorrência.
“Continuamos confiantes no case da empresa, que deve ser uma das principais consolidadoras do mercado de saúde no país. A estratégia de verticalização, que deve ser acelerada quando a incorporação da SulAmérica for concluída, nos parece acertada, os investimentos em segmentos de crescimento acelerado como oncologia são cirúrgicos, mas estamos um pouco menos confortáveis com os números apresentados no curto prazo, e entendemos que a consolidação dos M&As realizados pela companhia devem levar mais tempo, o que, com um custo de capital mais elevado, torna o curto prazo mais custoso, mas que, no médio prazo, deve apresentar uma descompressão”, avalia a Levante.
Dito isso, a Levante atualizou as suas estimativas, principalmente frente à velocidade das integrações e ao impacto disso nas margens operacionais, e diminuiu o preço-alvo para R$ 50, ou potencial de alta de 28% em relação ao fechamento de segunda-feira (15).
Para o Itaú BBA, a companhia apresentou resultados neutros. No quesito volumes, a empresa parece ser a que mais captou a materialização da demanda reprimida por procedimentos eletivos (amplamente antecipada, após os resultados da Bradesco Saúde, Porto Seguro e SulAmérica), com taxas de ocupação de 82,6%, valor 1,0 ponto porcentual (p.p.) acima do segundo trimestre de 2019, período pré-pandemia.
“Este fator resultou em uma boa alavancagem operacional que, aliada à otimização da estrutura em vigor, resultou em expansão de margem Ebitda (rentabilidade operacional) de 3,6 p.p. em base trimestral, pouco acima do que esperávamos”, destaca BBA.
Dito isso, o ticket (preço) médio foi o retardatário neste trimestre, ficando aquém da expectativa do BBA, tendo em vista que os reajustes de preços com os pagadores (planos de saúde) ainda estão por vir no segundo semestre e a menor complexidade dos casos. Os analistas do banco mantêm recomendação de “compra” para RDOR3, com preço-alvo de R$ 45 ao fim de 2022, ou potencial de alta de 15% frente o fechamento da véspera.
Na avaliação da XP, a empresa continua apresentando crescimento de receita devido a expansão de capacidade, embora os tickets devam começar a aumentar apenas no segundo semestre. O pipeline de projetos de expansão é robusto e deve complementar a estratégia de consolidação da empresa.
“As margens ainda estão sofrendo com os processos de integração de aquisições, mas esperamos que assim que os tickets comecem a aumentar, as margens também cresçam. A alavancagem financeira está consumindo grande parte dos resultados operacionais e prejudicando a recuperação do lucro líquido. Os resultados indicam que tanto o crescimento de receita quanto as margens podem começar a se recuperar ainda neste ano”, apontam os analistas. A recomendação é de compra para os ativos RDOR3, com preço-alvo de R$ 88, ou um potencial de alta de 125,6% em relação ao fechamento da véspera.
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