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SÃO PAULO – Após um ano de 2009 mais conservador com relação a seus concorrentes, o Bradesco (BBDC4), mais resiliente na crise, deve ser ultrapassado pelos outros bancos. Isso se deve em partes ao perfil menos bancário – um terço do resultado do banco vem dos segmentos de previdência e seguros. Ainda assim, características como capilaridade e expansão da economia devem beneficiar o banco.
Setor financeiro
Um dos principais indicadores analisados quando se leva em conta o setor bancário, a atividade de crédito mostrou melhora em 2009, se recuperando da queda resultante da crise financeira. Com relação a 2008, o crédito mostrou um aumento de cerca de 15% em 2009, e a projeção é que este ano mostre elevação em torno de 20%.
O analista da Ágora Investimentos, Aloisio Villeth Lemos, afirma que os lucros foram positivos de maneira geral, “com rentabilidade um pouco inferior a anos anteriores, mas ainda assim satisfatórios”. Vale lembrar que os bancos vinham de taxas de retorno sobre capital muito fortes, e era esperado que esses indicadores mostrassem queda no período de crise.
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Uma característica marcante de 2009 apontada por Lemos foi a diferença entre bancos públicos e privados, com os primeiros performando melhor. “Os bancos públicos tiveram uma postura mais agressiva em termos de crédito, o que se deveu até a uma orientação de governo”.
Assim, o analista acredita que não é de se estranhar que os bancos públicos mostrem algumas “dores de crescimento”. “Eu apostaria mais nos bancos privados, até porque eles evoluíram menos que o mercado como um todo”.
O analista-chefe da Gradual Investimentos, Paulo Esteves, destaca ainda um conservadorismo na contabilização das provisões dos bancos, que a qualquer momento podem voltar para o balanço e melhorar os resultados das instituições. “É um quadro importante que ainda está meio oculta para grande parte dos investidores”, afirma o analista.
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Instituições financeiras devem performar bem em 2010
O ano de 2010 deve ser positivo para as instituições financeiras. A opinião é compartilhada pelos analistas, que diferem mais em como e com que intensidade isso deve ocorrer. Para Esteves, o setor está entre os três que devem superar a performance do Ibovespa, juntamente com construção civil e consumo.
Para Lemos, o ano deve ser positivo de uma maneira mais distribuída e natural, uma vez que se deve a um fator mais sustentado, que é a expansão da economia. Além disso, a expectativa de expansão do PIB de cerca de 5% leva a um significativo efeito multiplicador do crédito.
Com relação ao mercado de ações, o analista da Ágora acredita que em termos de intensidade de alta será difícil superar o ano passado, que foi muito positivo. “Mas é esperado cenário de valorização, que já está se materializando nos primeiros pregões do ano”, completa o analista.
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Bradesco
Player mais conservador entre os grandes bancos, o Bradesco tem um perfil com menor atividade bancária. “Uma parcela muito grande dos negócios, cerca de um terço do resultado do Bradesco, vem de seguros e previdência privada”, explica Esteves.
Embora sejam segmentos importantes, e tenham ajudado a instituição na época da crise, a expansão destes segmentos não tem resposta tão rápida quanto as operaçoes bancárias tradicionais. Assim, enquanto nos períodos de crise o banco se mostrou mais resiliente, a tendência é ser ultrapassado pelo conorrente direto – Itaú Unibanco – no periodo de expansão.
Um ponto importante é a forte capilaridade do Bradesco, com presença ativa em todo território nacional. A visão é compartilhada pela Link Investimentos, que vê a presença nacional como fator importante para o crescimento da carteira de crédito.
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Outro driver que pode beneficiar o banco é o movimento de bancarização: “O crescimento do emprego acaba incorporando uma parcela da população ao sistema financeiro, com pessoas abrindo contas correntes”, explica Esteves. Esse movimento se dá principalmente via Banco do Brasil e Bradesco, ambos com presença mais distribuída em regiões menos prósperas e fora dos grandes centros urbanos.
Recomendações
| Analista | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Upside (%)* |
| Citigroup | Manutenção | 44,50 | 16,7% |
| Link | Em linha com o mercado | 45,90 | 19,25% |
| Gradual | Manutenção | 40,90 | 10,36% |
| Fator | Manutenção | 42,80 | 13,4% |
| *Baseado no fechamento do dia 08/01/10 |
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