“Novo” IPCA pode afetar investimentos? Professores comentam

De acordo com professores de economia, a nova ponderação não deve ter um impacto tão grande na redução da inflação

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SÃO PAULO – O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou, no início do ano, a alteração do peso dos itens para o cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). Com a mudança, habitação e transportes passam a ter um peso maior no cálculo do indicador, enquanto itens como alimentação e educação perdem relevância.

Para especialistas, é possível que haja um certo arrefecimento da inflação com a nova ponderação, mas nada muito expressivo. “Acredito que deve haver apenas uma queda marginal do IPCA este ano”, afirma o professor de economia do Ibmec – MG, Reginaldo Nogueira.

Já o professor do curso de Especialização em Gestão de Operações e Serviços Bancários (MBA) na Fundação Vanzolini, Wilson Motta Miceli, afirma que, mais importante do que a nova ponderação do IPCA, é o nível de atividade econômica este ano. “Isso sim vai definir como a inflação vai se comportar”, diz.

Segundo ele, o IPCA pode até registrar alguma elevação, caso o preço dos combustíveis aumente. “Com o maior peso do item ‘Transportes’, se o petróleo tiver uma alta e houver repasse para os combustíveis, o IPCA pode registrar um avanço”, ressalta.

Em relação aos investimentos, ambos concordam que eles não devem ser afetados com a nova ponderação. “ A mudança dos pesos não é suficiente para trazer a inflação para o centro da meta (de 4,5% ao ano)”, afirma Nogueira.

NTN-B: boa opção?
Os investimentos que podem ser afetados diretamente pela redução ou aumento da inflação são os títulos públicos atrelados ao IPCA, ou seja, as NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B) – compradas diretamente por meio do programa Tesouro Direto ou por meio da aplicação em fundos de investimentos.

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De acordo com Nogueira, esses títulos – que tiveram bom desempenho em 2011, quando a inflação ficou em 6,5% (teto do limite estabelecido pelo governo) – continuam sendo uma opção interessante de investimento. “Ainda acho que as NTN – Bs são uma boa alternativa”, afirma.

Isso porque, segundo ele, a inflação ainda deve ficar acima dos 5% em 2012. “Não acredito que o governo consiga abaixar o IPCA para 4,7%, como já disseram este ano”, afirma.

Para o professor, a convergência do índice para o centro da meta deve ser um processo lento, que vai depender de diversos de fatores. “O principal deles é como será a condução da política monetária em 2012”, aponta.

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Já o professor da Fundação Vanzolini acredita que, neste ano, a renda fixa deve ser uma opção menos interessante para o investidor. “Se nós imaginarmos que a inflação tende a ser um pouco menor em relação o ano anterior, por conta da própria atividade econômica, investir nesses títulos pode não ser a melhor opção. Os títulos ligados à Selic também vão remunerar menos, devido à queda dos juros”, diz Miceli.

Bolsa de valores
Na opinião dele, neste cenário, a Bolsa de Valores é a melhor alternativa. “Acho que o mercado acionário deve trazer uma rentabilidade maior para o investidor”, diz.

Apesar de a Europa ainda ter muitos problemas, uma melhora no quadro econômico dos Estados Unidos, aliada às boas perspectivas para a economia brasileira, tornam os ativos de renda variável uma boa alternativa. “Temos boas perspectivas no Brasil, com investimentos para Copa do Mundo e Olimpíadas. Além disso, muitas empresas estão com o P/L (Preço/Lucro por ação) reduzido”, conclui.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip