Resumo Semanal

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A exemplo da semana anterior, a sexta-feira salvou o Ibovespa de um desempenho negativo na semana. Porém, diferente da anterior – quando o discurso do presidente do BCE gerou otimismo ao sinalizar novas medidas de estímulo para a Zona do Euro – , dessa vez o principal vetor positivo veio dos EUA, que apresentou dados do mercado de trabalho bem melhores do que o esperado.

Com isso, depois de encerrar o último pregão da semana com ganhos de 3,12%, o benchmark da bolsa brasileiro garantiu desempenho positivo de 1,24% no período, fechando aos 57.255 pontos. O bom desempenho na sexta-feira, reverteu as perdas de de 1,83% acumuladas até o pregão de quinta-feira.

Nos EUA, a criação de vagas de trabalho nos EUA em julho foi de 165 mil, contra expectativa de 100 mil, enquanto a atividade do setor de serviços expandiu um pouco mais do que era projetado, passando de 52,1 para 52,6 pontos, indicando uma melhora da atividade ena maior economia do mundo. 

Reuniões decepcionam
Apesar do desempenho positivo do índice, a semana não foi só de boas notícias. Ao contrário do esperado pelos investidores, a reunião do Fomc não trouxe nenhuma novidade – mesmo com a avaliação por parte dos participantes de que a economia norte-americana está desacelerando mais do que o esperado. Isso frustrou a expectativa de que seriam anunciados novos estímulos quantitativos, como forma de melhorar o desempenho econômico.

Entretanto, a maior decepção foi da reunião do BCE, que frustrou os mercados ao não apontar nenhuma medida de estímulo econômico, apesar das diversas sinalizações feitas pelo seu presidente, Mario Draghi.

A falta de medidas mostrou que Draghi enfrenta oposição de outros integrantes da autoridade monetária e que suas promessas não serão cumpridas integralmente. Dentre os anúncios, o presidente afirmou apenas que estudará um mecanismo nas próximas semanas para fazer compras diretas de ativos. 

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Espanha pode pedir ajuda
No início da semana, mesmo com os novos sinais de recessão ao registrar contração de 0,4% no PIB no segundo trimestre, a Espanha havia afirmado que não pediria que os fundos de resgate comprem títulos de dívida, por acreditar que o custo de financiamento deva recuar em breve.  

Já na sexta-feira, o primeiro-ministro do país, Mariano Rajoy, voltou atrás, apontando que pode haver ajuda dos fundos de resgate ao país. Em coletiva à imprensa internacional, o político não respondeu se pedirá apoio do EFSF, já que prefere esperar por mais informações sobre os planos da autoridade monetária. 

Além da Espanha, a Grécia também esteve em pauta. Com o cenário de crise ainda tomando conta do mercado, a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, prometeu que a organização multilateral ficará ao lado do país. Além disso, Lagarde afirmou que a incerteza geral em torno do futuro da Zona do Euro está nublando o horizonte para a economia da Espanha. 

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Já no final da semana, a Standard & Poor’s rebaixou o rating de 15 bancos italianos, afirmando que o risco de crédito para as instituições financeiras do país aumentou consideravelmente. 

Indústria global desacelera 
Em meio à incerteza global, o setor industrial continua retraindo por todo o globo. O destaque negativo ficou para a queda da produção industrial da Alemanha.  Já na Ásia, o PMI do setor industrial da China caiu, enquanto na Zona do Euro, o PMI da indústria completou em julho o 11º mês seguido de contração. No Reino Unido, o PMI também encolheu em junho. 

Entretanto, no setor de serviços, o PMI da China se expandiu em julho a um ritmo saudável, em contraste com o setor industrial. Já o PMI compilado pelo instituto Markit, patrocinado pelo HSBC, foi na direção oposta, subindo para 53,1 em julho ante mínima de 10 meses de 52,3 em junho. Porém, ambas estiveram bem acima da marca de 50, indicando crescimento na atividade geral do setor.

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Já no Brasil, com a demanda mais fraca, o setor de serviços voltou a registrar contração em julho, no ritmo mais rápido desde 2009. Entretanto, o Banco Central apontou que a demanda interna tende a se intensificar o nível de atividade nesse semestre, prevendo uma recuperação “gradual” da economia do País em seu Boletim Regional. 

Balanços agitam setor corporativo
O resultado mais esperado da semana ocorreu após o fechamento do pregão de sexta-feira, com a divulgação do balanço da Petrobras. A petrolífera desapontou o mercado e registrou prejuízo de R$ 1,346 bilhão  no segundo trimestre de 2012, fato que deve ser refletido na próxima semana.

Contudo, já nesta semana, as ações de inúmeras empresas refletiram os seus resultados trimestrais. Os papéis preferenciais da Usiminas, cujo resultado trimestral veio melhor que o esperado, dispararam na semana, com alta de 19,16%, aos R$ 7,90, registrando a maior valorização da semana. Na ponta oposta, estiveram os papéis da Oi, com baixas respectivas de 7,71% e 7,37% para os papéis ON e PN, cotados aos R$ 10,90 e R$ 9,17. 

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Dentre os resultados da semana, também estiveram no radar os dados da Ambev, Embraer, Coelce, Arezzo, Gerdau e BR Malls. No mesmo cenário, a TIM foi uma das mais afetadas, registrando forte volatilidade de seus papéis durante a semana após o balanço. No dia dos resultados, os papéis da operadora registraram forte queda, mas se recuperaram após a notícia de que a Anatel liberou a venda de chips.

Na semana, o noticiário foi negativo para a MRV, que registrou queda de suas ações refletindo a divulgação de indícios de trabalho escravo na companhia, o que levou a Caixa a suspender os financiamentos para a companhia. Por fim, estiveram no radar as intenções de Eike Batista de fechar o capital da LLX, confirmando os rumores da semana anterior. 

Agenda da próxima sessão 
Dentro da agenda da segunda semana de agosto, os investidores ficarão atentos ao IPCA de julho no front doméstico, além dos indicadores industrais de junho. Já nos Estados Unidos, o destaque fica por conta do orçamento do governo e dos dados da balança comercial do mês de julho, além dos indicadores de crédito ao consumidor. Já na Ásia, a China reportará os dados de produção industrial e de vendas no varejo, enquanto o Banco do Japão fará a sua reunião de política monetária.

Durante a semana contaremos, na agenda nacional, com o IBC-Br e para o IC-Br, ambos referentes ao mês de junho. Já na China, será divulgada a balança comercial de julho.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.