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SÃO PAULO – A poupança é considerada um dos investimentos mais seguros que existem, daí sua forte popularidade no País. Entretanto, um estudo efetuado pelo economista e CEO da Richard Investe, Richard Rytenband e divulgado com exclusividade ao InfoMoney mostra que a relação o risco X retorno da poupança pode ser muito diferente do que a maioria das pessoas acredita.
De acordo com o levantamento, em algumas comparações dos últimos anos, a relação risco X retorno da caderneta de poupança, quando deflacionada por um índice como o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), é pior do que a da bolsa – representada pelo Ibovespa (principal referencial do mercado acionário brasileiro).
Para comparar a relação risco X retorno da poupança e do mercado de ações, o economista adotou o critério de Coeficiente de Variação (CV), que mostra o risco por unidade de retorno e, segundo ele, proporciona uma base de comparação que faz mais sentido quando o retorno de duas aplicações não é o mesmo.
“O Coeficiente de Variação é mais eficaz na comparação de riscos de ativo do que o desvio padrão (medida de grau de dispersão, utilizada como parâmetro de risco) isoladamente, já que também considera o retorno dos ativos”, diz. “Mas embora este coeficiente possibilite uma melhor comparação entre as alternativas, ele não deve ser considerado como um critério único e absoluto para decisões de investimentos”, explica Rytenband.
Confira a tabela com o coeficiente de variação da poupança e do Ibovespa. Quanto maior o coeficiente, pior a relação risco/ retorno da aplicação.
| Coeficiente de Variação | Ibovespa – IPCA | Ibovespa – IGP-M | Poupança – IPCA | Poupança-IGP-M | Poupança nominal | Ibovespa nominal |
|---|---|---|---|---|---|---|
| *Richard Rytenband | ||||||
| Desde 1991 | 5,78 | 6,58 | 3,30 | 17,94 | 2,03 | 2,56 |
| Desde 1995 | 8,61 | 9,90 | 1,66 | 5,23 | 0,63 | 5,56 |
| Desde 1999 | 7,40 | 9,11 | 2,68 | -15,32 | 0,22 | 4,96 |
| Desde 2003 | 5,89 | 6,25 | 1,74 | 5,17 | 0,17 | 4,20 |
| Desde 2007 | 44,12 | 93,28 | 1,50 | 9,45 |
0,11 |
11,76 |
Pontos que chamam atenção
O especialista ressalta que, de 1991 até julho 2012, quando deflacionado pelo IGP-M, o coeficiente de variação da poupança foi muito superior ao do Ibovespa. “Ou seja, um risco X retorno considerando este critério de análise muito pior que um investimento considerado de risco como o mercado de ações”, afirma.
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Já de 1999 até julho de 2012 o coeficiente de variação da poupança deflacionada pelo IGP-M foi negativo, já que a média deste período foi negativa. “Neste caso não há sentido em comparar o risco x retorno já que o retorno médio da poupança deflacionada pelo IGP-M foi negativo, enquanto do Ibovespa positivo”, diz.
De 2003 até julho de 2002, o coeficiente de variação de ambos os investimentos deflacionados pelo IGP-M foram muito próximos: 6,25 do Ibovespa e 5,17 para poupança.
De 2007 até julho de 2012, o coeficiente de variação do Ibovespa em todas as situações é bem elevado, o que é justificado pela fase volátil provocada pelas seguidas crises mundiais do período. Porém a da poupança na mesma situação é no mesmo patamar de risco x retorno que o Ibovespa apresentou quando analisamos outros intervalos, como: 1991 a julho de 2012, de 1999 a julho de 2012, de 2003 a julho de 2012 e muito próximo ao intervalo de 1995 a julho de 2012 (9,90 Ibovespa vs 9,45 da Poupança).
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Por isso, ele lembra que a poupança, quando avaliada em termos reais (deflacionada) e por um índice de inflação que é sensível aos preços no atacado (e utilizado para reajustar os principais contratos de serviços e aluguéis, como o IGP-M) apresenta um comportamento volátil e um risco x retorno muito diferente do que a maioria imagina. “A imagem da poupança é de um investimento conservador e ideal para momentos de turbulência, porém os dados mostram um cenário oposto”, ressalta.
Segundo o economista, a caderneta pode ser útil, mas apenas quando utilizada para reserva de emergência e recursos de curto prazo. “Pensar em investir em poupança para um prazo maior não é a melhor opção. Em cenários de calmaria o rendimento não será significativo e nos de turbulência pode ocorrer perda de poder aquisitivo (rentabilidade real negativa)”, pontua.
Rentabilidades
Antes de fazer o estudo para medir a relação risco X retorno da poupança e da bolsa, Rytenband analisou a rentabilidade da caderneta desde 1991. Foi calculada a rentabilidade nominal e também a rentabilidade real (descontada a inflação pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo – e pelo IGP-M), conforme a tabela a seguir:
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| Ano | Poupança nominal | Poupança-IPCA | Poupança-IGP-M |
|---|---|---|---|
| *Richard Rytenband | |||
| 1991 | 455,85% | -2,94% | –0,45% |
| 1992 | 1.233,71% | 9,40% | 4,65% |
| 1993 | 2.633,42% | 6,06% | 2,47% |
| 1994 | 1.015,95% | 9,79% | -17,13% |
| 1995 | 39,75% | 14,16% | 21,25% |
| 1996 | 16,36% | 6,20% | 6,56% |
| 1997 | 16,55% | 10,76% | 8,18% |
| 1998 | 14,43% | 12,57% | 12,43% |
| 1999 | 12,24% | 3,03% | -6,54% |
| 2000 | 8,35% | 2,25% | -1,45% |
| 2001 | 8,60% | 0,86% | -1,61% |
| 2002 | 9,20% | -2,96% | -12,86% |
| 2003 | 11,05% | 1,60% | 2,15% |
| 2004 | 8,12% | 0,48% | -3,82% |
| 2005 | 9,17% | 3,30% | 7,87% |
| 2006 | 8,32% | 5,02% | 4,33% |
| 2007 | 7,71% | 3,11% | -0,04% |
| 2008 | 7,9% | 1,89% | -1,73% |
| 2009 | 6,93% | 2,51% | 8,80% |
| 2010 | 6,90% | 0,93% | -3,97% |
| 2011 | 7,45% | 0,89% | 2,24% |
| 2012 (até julho) | 3,84% | 1,05% | -0,70% |
Análise da tabela
Com base na tabela, é possível verificar que a rentabilidade da poupança, quando deflacionada pelo IPCA, ficou negativa em dois anos. Quando consideramos o IGP-M como inflação a situação é muito pior: em 22 anos de amostra, metade do período foi negativo.
Também chama atenção a sequência de anos negativos de 1999 a 2002. “Esta rentabilidade é fruto da desvalorização cambial que impactou o componente com mais peso do IGP-M, o IPA (índice de preços no atacado)”, diz Rytanband. O IGP-M é composto por 60% IPA, 30% IPC (índice de preços ao consumidor) e 10% INCC (índice nacional da construção civil).
Ao analisar a poupança deflacionada pelo IGP-M, é possível perceber uma elevada volatilidade nos rendimentos como ilustra o gráfico abaixo:
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