Publicidade
SÃO PAULO – Aplicar na Bolsa exige autocontrole e calma, mas disso a maioria já sabe. A novidade é o fato de hormônios como a testosterona e o cortisol influenciarem no comportamento dos investidores quando se trata do mercado acionário.
Isso é o que afirma John Coates, autor do livro “The hour between dog and Wolf: risk-taking, gut feelings and the biology of boom and bust”, ainda sem tradução para o português.
De acordo com as pesquisas de Coates, o hormônio testosterona, presente em maior quantidade nos homens e responsável pelo desenvolvimento da massa muscular, também influencia os investidores de ações. Em suas observações, ele constatou que alguns investidores que começaram a ganhar na Bolsa, passaram a se achar invencíveis e começaram a investir ainda mais, devido aos altos níveis de testosterona que possuíam no corpo.
Outra situação que levou Coates a essa conclusão foi assistir operadores de Londres durante o dia. Na parte da manhã, eles apresentavam maiores níveis de testosterona em comparação com a tarde, pois é nessa parte do dia que são feitos os acordos de maior risco.
Com tanta testosterona no jogo, os ganhos no mercado de renda variável podem ser elevados em determinados momentos, mas as chances de fortes perdas também aumentam consideravelmente. Isso porque os investidores que agem sob influência do hormônio tendem a arriscar muito mais, maximizando as chances de ganhos e também de grandes prejuízos.
O cortisol e o estresse
Já em tempos de vacas magras na bolsa e altos níveis de estresse, Coates notou que esses investidores tendem ter um maior nível de cortisol no organismo. Em níveis muito altos, este hormônio pode explicar o sentimento de fuga de ativos de risco, já que, segundo a pesquisa de Coates, ele provoca o efeito oposto ao da testosterona no organismo.
Continua depois da publicidade
Segundo as pesquisas do autor, uma maneira de diminuir os investimentos de alto risco em uma gestora de valores ou empresa que lida diretamente com investimentos seria contratar homens mais velhos e mais mulheres, pois seus corpos liberam menos testosterona, e no caso das mulheres, o nível de cortisol é igual ao dos homens, mas elas liberam menos em situações de estresse e mais em situações de conflitos na vida pessoal.