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SÃO PAULO – A inflação oficial brasileira terminou janeiro com a taxa mensal mais alta em quase oito anos, por conta da pressão dos alimentos e despesas pessoais. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,86% no mês passado – o que representa a maior variação mensal desde abril de 2005 e, nos 12 meses encerrados em janeiro, acumulou alta de 6,15% – a maior desde janeiro do ano passado.
Com o indicador cada vez mais próximo do teto da meta do governo para este ano (6,5%), é comum que os investidores fiquem céticos na hora de investir seu dinheiro. Isso porque dependendo da aplicação financeira, a rentabilidade pode perder para a inflação e seu poder de compra será reduzido no longo prazo. No entanto, existem investimentos que estão “blindados” da inflação e que oferecem mais segurança neste momento em que o IPCA está beirando o teto da meta do governo.
Renda fixa e fundos imobiliários
Segundo a consultora financeira, Eliana Bussinger, a recomendação para fugir da inflação é investir em títulos públicos, mais especificamente nas NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional – Série B). A NTN-B é um título indexado ao IPCA, ou seja, paga ao investidor uma taxa prefixada mais a variação do IPCA no período. Isso quer dizer que a rentabilidade real (descontada a inflação) é a mesma da taxa oferecida pelo título. Vale lembrar que a taxa informada no momento da compra será paga se o investidor permanecer com o título até o seu vencimento.
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Já para Claudemir Galvani, professor do Departamento de Economia da PUC-SP, as melhores opções no momento são as LCAs (Letra de Crédito do Agronegócio) e as LCIs (Letra de Crédito Imobiliário), que são papéis de renda fixa.
“São as melhores opções pois elas não têm taxa de administração e o rendimento de ambas é isento de Imposto de Renda”, explica. Ele lembra que a principal diferença entre as duas é que a LCI tem garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) até o limite de R$ 70 mil, enquanto a LCA não possui nenhum tipo de garantia. “Se o banco for de primeira linha, está tudo certo, mas se for um banco de segunda linha há com o que se preocupar”, explicou. Neste caso, para quem compra a LCI de bancos menores, o ideal é se limitar a investimentos de até R$ 70 mil em cada banco. Já o investidor da LCA deve procurar bancos sólidos para correr menos risco com a aplicação.
As LCAs são títulos lastreados em negócios realizados entre produtores rurais e suas cooperativas. Já as LCIs são papéis emitidos por bancos comerciais lastreados por créditos imobiliários. Normalmente, estes títulos são indexados ao CDI, mas existem bancos que emitem títulos que pagam taxas atreladas a índices de inflação, como o IPCA e o IGP-M.
Galvani recomenda também o investimento em fundos imobiliários de renda de aluguel, principalmente aqueles baseados em imóveis já construídos e locados – performados, mas lembra: “esses fundos cobram taxa de administração”.
Os fundos imobiliários são instrumentos financeiros que transformam os imóveis em papéis negociáveis, ou seja, além de oferecerem a solidez de um empreendimento imobiliário, têm uma liquidez muito maior que a do investimento direto em imóveis. A rentabilidade do investimento também é isenta de Imposto de Renda para pessoa física (com algumas exceções) e os fundos são negociados no mercado secundário na bolsa de valores, obrigatoriamente administrado por instituições financeiras.
Renda variável
Outra dica da Eliana é o investimento em Ouro. Segundo ela, apesar de ser um “mercado concentrado e pequeno, é um investimento cujo preço sobe muito em momentos de incerteza (e inflação alta) por trazer segurança aos investidores”, afinal, é um ativo que não pode ser impresso, como o dinheiro. Em 2010, por exemplo, quando governos do mundo inteiro resolveram emitir uma enorme quantia de papel moeda para levantar a economia depois da crise de 2008, o ouro se tornou o melhor investimento da época, com uma valorização superior a 30%.
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Já no mercado de ações, mesmo tendo proteção contra a inflação de forma direta e indireta, é mais arriscado e, de forma geral, voltado mais a pessoas que entendem do assunto e que tem tempo para estudar e se aplicar para acompanhar o sobe e desce das ações. O mercado de ações é protegido da inflação de forma indireta porque quando as empresas repassam o aumento de preços aos seus consumidores, estão garantindo ao seu investidor uma forma parcial de proteção contra a inflação. E é protegido de forma direta no caso das empresas de utilidade pública, como as de água, telefonia, gás e energia elétrica, afinal, essas companhias tem receitas atreladas à inflação, o que reduz as chances de que aumentos na taxa representem prejuízos para elas.
De acordo com a consultora financeira, está muito complicado de investir no Brasil atualmente, pois, além da inflação alta, a situação econômica está desfavorável e ainda há alguns empecilhos impostos pelo governo que dificultam ainda mais a situação. “A poupança, que era um bom investimento, acabou depois das novas regras. Essas mudanças aliadas à inflação alta tornou a poupança um investimento que não vale a pena”, afirmou.
Para quem não se interessar pelos mercados de renda fixa, por conta de seu baixo rendimento, e nem pelo mercado de ouro, pela sua alta restrição, a melhor opção para fugir da inflação é o mercado de ações, mas, como afirmou a consultora, é preciso estar preparado para enfrentar o alto risco.