Crise e queda de juros: afinal, momento é para poupar ou usar o crédito?

Taxas de juros mais baixas podem ser uma tentação para financiar um produto mais caro. Mas, incertezas permitem isso?

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SÃO PAULO – Com a crise econômica e a instabilidade no mercado de trabalho, a recomendação para os consumidores era segurar os impulsos e poupar o máximo de dinheiro que pudessem, para ter uma garantia em caso de demissão. Muitos seguiram o conselho, e diversos setores da economia registraram queda nas vendas.

Ao mesmo tempo, para diminuir os efeitos dessa turbulência e facilitar a tomada de crédito, as taxas de juros sofreram reduções constantes, a exemplo da Taxa Selic, que levou diversos bancos a reduzirem suas taxas. Essa medida também teve resultado, aumentando as vendas em alguns segmentos, principalmente o de bens duráveis. Somado a isso, há os prazos de financiamento, que voltaram a subir, como para o segmento de veículos, que voltou a ser oferecido em até 80 meses.

Mas, com isso, vem a dúvida: afinal de contas, é melhor poupar nesse período de incertezas ou aproveitar as taxas baixas e usar o crédito para adquirir um carro, aquela geladeira ou até mesmo um imóvel?

Esse é o momento

Para o vice-presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira, esse é o momento para usar o crédito. “As condições melhoraram muito e vão melhorar mais. As taxas de juros tendem a continuar caindo mesmo sem queda na Selic”, afirmou em recente entrevista à Infomoney.

Segundo ele, isso será possível devido a ações do governo para reduzir o spread bancário. Além disso, o cenário interno mais positivo e o menor risco de inadimplência dos consumidores brasileiros contribuirão para melhorar a concessão de crédito.

Porém, Oliveira também ressalta que o consumidor deve pesquisar antes de fazer um financiamento. Isso porque, nem todos os bancos reduziram as taxas, havendo diferenças significativas entre as instituições financeiras. “O importante é que ele pesquise muito, porque há variações muito grandes. E se ele tiver que fazer um financiamento, que faça com prazos mais curtos, porque, assim, pagará menos juros”, aconselha.

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“Poupar é sempre melhor”

Já o professor de Finanças da Escola de Administração da FGV (Fundação Getulio Vargas), Fabio Gallo, considera que poupar dinheiro deve ser sempre a primeira opção do consumidor, independente se o cenário é de crise ou não. “Nenhum cálculo desmente o fato de que é melhor poupar do que gastar, mesmo com taxas de juros caindo”, ressalta.

Para ele, antes de decidir sobre usar o crédito, o consumidor precisa perguntar a si mesmo se precisa realmente ou se quer o produto. “Se é uma necessidade da casa, da família, aí vai gastar e acabou. Mas se simplesmente quer aquilo, então tem que estar preparado, com planejamento financeiro”, diz. Gallo também lembra que, mesmo com a queda, as taxas de juros brasileiras ainda são altas em relação a outros países, assim como o spread bancário.

Porém, há um tipo de crédito que o professor considera positivo utilizar nesse momento: o crédito imobiliário. “Considerando a renda familiar brasileira, é difícil poupar antes de comprar uma residência. Então, nesse momento em que as taxas estão melhores, vale a pena”, explica.

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Cuidados na tomada de crédito

Com crise ou sem crise, com juros caindo ou subindo, o consumidor que vai utilizar o crédito sempre deve ter alguns cuidados, para evitar o descontrole financeiro e conseguir pagar todas as contas. O primeiro passo é avaliar se as parcelas do empréstimo cabem mesmo no seu orçamento. Para isso, some suas despesas mensais, subtraia dos rendimentos e veja quanto resta ao final do mês. Também não se esqueça de observar as contas que estão por vir.

Também é necessário comparar as condições oferecidas por cada banco, principalmente quando se trata de juros, pois economizar neste ponto é muito importante. Além disso, é preciso ficar atento com o prazo, pois, como disse Miguel de Oliveira, quanto maior, mais juros serão pagos.