Títulos públicos pagam até 12% ao ano; economista comenta as melhores opções

As consecutivas altas da Selic estão fazendo com que o mercado de renda fixa se torne cada vez mais atrativo, em especial os títulos do Tesouro Direto

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SÃO PAULO – As consecutivas altas da Selic estão fazendo com que o mercado de renda fixa se torne cada vez mais atrativo, em especial os títulos do Tesouro Direto.

O ciclo de aperto monetário do Banco Central começou em maio deste ano e já levou a Selic de 7,25% para 9,5% ao ano. A taxa básica de juros do país atingiu a mínima histórica, de 7,25% ao ano, em outubro de 2012, após um ciclo de afrouxamento que começou em agosto de 2011 e prejudicou muito esses investimentos na época.

De acordo com Richard Rytenband, economista e especialista em investimentos e métodos quantitativos, o Tesouro Direto começou a ficar interessante logo no início deste novo ciclo, mas ainda está no timing de entrar para lucrar bastante, principalmente em LTN 2017 e NTN-B 2035, que estão rendendo bastante e “devem melhorar ainda mais”.

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Segundo ele, quem entrou antes já está lucrando e, apesar de quem ainda não entrou estar atrasado, ainda é tempo, pois a curva de juros está se deslocando para ficar negativa. “Ela está se inclinando que nem um balanço, só que para baixo. Com isso e com o respiro na inflação e apreciação cambial, a conjuntura é totalmente favorável. Quanto mais cair a inflação implícita e o juros futuros imbicar para baixo, os títulos vão se valorizar. Tudo está se desenhando pra isso”, afirmou o especialista.

LTN 2017 e NTN-B 2035
A LTN (Letras do Tesouro Nacional) é um título prefixado, ou seja, a rentabilidade do papel é definida no momento da compra. No entanto, é válido lembrar que essa rentabilidade só é garantida se o investidor ficar com o título até a data do seu vencimento.

Esse papel com vencimento em 2017 está oferecendo, para quem comprar hoje, uma rentabilidade de 11,38% ao ano. A variação dos últimos 30 dias foi positiva em 2,23% e no mês anterior em 1,79%.

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Já a NTN-B (Notas do Tesouro Nacional – Série B) é um papel pós-fixado indexado ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), ou seja, ele oferece uma rentabilidade fixa, definida no momento da compra, mais a variação do IPCA no período. Isso significa que este título é protegido da inflação. Os papéis citados por Rytenband, com vencimento em 2035, oferecem, atualmente, uma rentabilidade de 5,85% ao ano na venda, mais o IPCA, atualmente em 5,86% ao ano (dados de setembro, divulgados em outubro), o que daria, hoje, um retorno de 11,71% ao ano, em média.

Vale lembrar que este título paga um cupom semestral de juros, de 6% ao ano, mas o resgate do principal é só na data do vencimento. Quem vender o título antes do prazo não a rentabilidade oferecida inicialmente garantida e pode, inclusive amargar fortes perdas. A prova disso é a rentabilidade negativa de muitos títulos públicos neste ano. Com a alta da Selic, títulos prefixados e aqueles que são atrelados à inflação tendem a perder valor, e isso se reflete no mercado secundário de negociação. A NTN-B Principal com vencimento em 2035, por exemplo, acumula este ano queda de 24,92%. Já a NTN-B com vencimento em 2050 já desvalorizou 19,77% ao longo de 2013.

Na mesma linha, títulos prefixados como a NTN-F com vencimento em 2023 já recuaram 5,98% este ano.

Diversificação
Na opinião do economista, pelo menos um terço da carteira do investidor deve ser constituída de papéis de renda fixa. “Defendo diversificação com base no risco retorno. Eu acho que a parte de renda fixa deve ocupar no mínimo do mínimo 33% da carteira, para mais. Mas tudo depende do perfil do investidor, obviamente”, afirmou. “Um cara de sucesso é investidor e empreendedor. O segredo é aplicar no próprio negócio e em investimentos financeiros”, finalizou Rytenband.