Previdência Social: secretário admite que pré-sal pode financiar sistema

"Quando existir, imagino que pode, sim, financiar elementos redistributivos da Previdência", afirmou Helmut Schwarzer

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SÃO PAULO – O secretário de Políticas do Ministério da Previdência, Helmut Schwarzer, considerou o uso da riqueza do petróleo extraído das camadas do pré-sal para financiamento da Previdência Social no longo prazo.

“É um fator potencialmente possível, se existir. Quando [o petróleo do pré-sal] existir, imagino que pode, sim, financiar elementos redistributivos da Previdência”, afirmou o secretário, durante o lançamento do livro “Envelhecimento e Dependência: Desafios para a Organização da Proteção Social”, realizado nesta terça-feira (9).

A publicação é resultado de trabalho de quatro pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). De acordo com o diretor de Estudos Sociais do Instituto, Jorge Abrahão de Castro, “o pré-sal será uma realidade, e a sociedade brasileira deve, sim, discutir como parte dessa riqueza pode financiar políticas públicas universais, como educação e previdência”, afirmou.

Envelhecimento da população

O trabalho do Ipea revela que a população brasileira envelhece rapidamente, principal motivo para se buscar formas de financiar a Previdência Social. Para se ter uma idéia, em 2040, o País terá 55.555.895 pessoas com mais de 60 anos.

A participação dos idosos na população total dobrou entre os anos de 1950 e 2000. Estimativas apontam para um crescimento ainda mais significativo para as próximas décadas, sendo que, em 2050, as pessoas com idade acima de 60 anos devem representar um terço da população, com destaque para pessoas acima de 80 anos.

O grupo esteve com participação estável na população, em torno de 0,5% entre 1950 e 1980. Já em 2000, essa participação havia dobrado e estima-se que, em 2050, tal grupo representará 6% da população brasileira.

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Realidade Brasil

Ainda sobre a realidade no Brasil, é bom considerar que 23% das famílias contam com idosos entre seus membros. Pouco mais de 10% do total de idosos vivem sós, sendo que a grande maioria (73%) vive em famílias compostas majoritariamente por membros adultos.

Apenas 13% dos idosos vivem com famílias com renda abaixo de um salário mínimo. “O baixo percentual de idosos pobres se explica pela relevância do sistema de garantia de renda operado pelo Estado brasileiro. Do total da renda dos idosos, 67% provêm dos benefícios previdenciários e assistenciais, proporção que sobe para 83% no caso dos idosos com mais de 80 anos”, diz o estudo.