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SÃO PAULO – O mercado de fundos oferece diversas opções ao investidor. Ele pode aplicar em renda fixa, câmbio, renda variável, juro. Além disso, pode contar com diferentes tipos de estratégia, dependendo da gestão que é feita. Mas o que deu bons resultados em 2010 e quais devem ser as estrelas de 2011 nesta indústria?
De acordo com o gestor de fundos da Daycoval Asset, Anderson Rodrigues dos Santos, para a indústria de fundos em geral, o ano de 2010 foi positivo.
Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que neste ano a indústria de fundos deve atingir novo patamar recorde de captação líquida pelo segundo ano consecutivo. Até novembro, o ingresso líquido havia atingido R$ 114,4 bilhões, alta de 35,7% frente ao mesmo período de 2009.
O ano de 2010
Uma modalidade que incentivou esse resultado foi a multimercado, principalmente long & short e multiestratégias (que unem diversos tipos de estratégia, como macro, direcionais, de opções, long & short etc).
“Os long & shorts compram uma cesta de ações e vendem outra cesta. Long significa compra e short, venda. Teve muita gente que ficou comprado em setor doméstico, empresas que se favorecem com o cenário doméstico, como consumo e construção; e short nas empresas que são mais afetadas pelo cenário externo, como siderurgia, mineração e petróleo. Quem montou esse tipo de estratégia se deu bem”, explicou Santos.
Por outro lado, alguns fundos foram penalizados porque apostaram na direção de queda da taxa básica de juro, a Selic. Entre eles, fundos que seguem juros, câmbio, renda fixa, ou até mesmo um multimercado macro, por exemplo.
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“No começo deste ano, esses fundos ganharam bastante dinheiro. Quem acertou o “timing” e saiu na hora certa se deu bem. O problema é que muitos continuaram carregando suas posições e, como a curva de juros subiu bastante nos últimos meses, já precificando alta de juros para o ano que vem, eles entregaram um pouco da rentabilidade que teve no começo do ano”, afirmou o gestor da Daycoval.
Em relação ao mercado acionário, se beneficiaram alguns tipos de fundos, já que o movimento na bolsa não foi uniforme. O Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo), de acordo com Santos, foi muito impactado pelas commodities neste ano, principalmente a Petrobras, que sofreu com o processo de capitalização.
Por outro lado, o setor de consumo foi bastante favorecido no ano. “Era consenso do mercado que esses setores seriam beneficiados com o aumento dos gastos do governo, com o aumento da renda, pelos incentivos fiscais em alguns setores específicos e pela forte geração de emprego. Quem apostou neles se beneficiou”, disse.
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E em 2011?
Para o próximo ano, Santos disse que os multimercados continuarão a ser uma boa escolha, porque conseguem diversificar e procurar mercados que estejam dando resultados. “Eles podem ser prejudicados por um momento ruim de bolsa, mas podem ser beneficiados pelo momento bom de papéis pré-fixados”, disse.
Santos afirmou que as perspectivas não são tão positivas para as ações em 2011. “A grande alta das ações no ano de 2010 foi em setores específicos e, no ano que vem, não tem tanta possibilidade de alta, como no setor de consumo”, exemplificou, dizendo ainda que olhar 2011 tentando definir os setores que vão se sobressair será difícil, por mais que alguns setores devam ser beneficiados por eventos específicos, como o de infraestrutura, por conta da Copa e Olimpíadas.