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SÃO PAULO – O cenário de inflação leva a um avanço da inadimplência, uma vez que sobra menos dinheiro para honrar as dívidas e ainda há aumento dos juros. Tudo isso, porém, poderia ser controlado com o cadastro positivo. A opinião é do recém-empossado presidente da Equifax, empresa de soluções para gestão de risco, Marcelo Kekligian.
De acordo com ele, para que o mercado mantenha o índice de inadimplência em níveis estáveis, é necessário ter acesso a ferramentas e informações que embasem, com total segurança, todas as decisões de tomada de crédito.
“Neste momento, é imprescindível a utilização do cadastro positivo, que possibilitará que o credor faça uma avaliação precisa do potencial de pagamento do tomador, bem como tenha conhecimento real de seu grau de endividamento”.
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O cadastro
A principal vantagem ao consumidor do cadastro positivo é a possibilidade de diminuir o custo do crédito. “Diminui-se a taxa de juros e coloca-se o risco onde ele realmente existe. Se a pessoa compra bastante e paga bem, as taxas de juros diminuem para esta pessoa”, explica o gerente da ACSP (Associação Comercial de São Paulo), Paulo Ronaldo Capoletti.
Ele ainda afirma que o cadastro possibilita a expansão do crédito. De acordo com o gerente, é esta a tendência que se observa nos países que adotaram a lista de bons pagadores. “Em mercados modernos, você tem aumento na concessão de crédito”.
Questionado sobre se essa maior concessão de crédito poderia gerar uma maior inadimplência, em um cenário de inflação, o presidente da Equifax disse que não. “Não podemos vincular o aumento da concessão de crédito a uma alta da inflação, principalmente se as políticas de concessão forem embasadas na utilização de dados positivos”, explicou.
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“Mesmo porque, quando o crédito é concedido baseado em informações comportamentais do indivíduo, é realizado com muito mais qualidade, assertividade, critério e com muito menos risco. É o que chamamos de crédito-seguro”, completou Kekligian.
Inflação e inadimplência
O presidente da Equifax explica que o cenário inflacionário pode intensificar a inadimplência, devido à política monetária restritiva do governo, que tende a aumentar as taxas de juros.
Ele explica da seguinte maneira: o governo sustenta a idéia de que, para a inflação – que tem origem na alta dos preços internacionais dos alimentos e das commodities – ser controlada, os juros devem sofrer reajustes.
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“Esta alta dos juros desencadeia um efeito dominó, pois encarece os financiamentos em geral e financiamentos mais caros levam, conseqüentemente, a um aumento da inadimplência, visto que comprometem o orçamento familiar, principalmente das classes C e D”.