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SÃO PAULO – Com o intuito de melhorar a qualidade nutricional dos alimentos que os brasileiros consomem, a Comissão de Seguridade Social e Família discutiu, em audiência pública, a obrigatoriedade de as empresas incluírem mensagens sobre obesidade nas embalagens de alimentos altamente calóricos.
A medida compõe o Projeto de Lei 1480/03, do deputado Lincoln Portela (PL-MG), que foi defendido pela representante do Conselho Federal dos Nutricionistas, Simone Cunha Rocha Santos. “Precisamos atentar também para os produtos de alta densidade calórica, como o amendoim”.
Saudáveis e calóricos
De acordo com a nutricionista, alimentos como o amendoim podem ser saudáveis, mas se consumidos em excesso também causam a obesidade.
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Já para a médica representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Mônica Beyrute, o fato de o alimento ser saudável ou calórico é diferente. “O que engorda é a caloria, se o alimento é saudável ou não é outra discussão”.
Ela ainda disse que o que mais preocupa são as calorias vazias nos alimentos, que não apresentam nenhum tipo de nutriente, como as presentes em refrigerantes, bolachas recheadas e salgadinhos.
Obesidade no Brasil
A nutricionista citou pesquisa que mostrava que, em 2003, existiam 38 milhões de adultos obesos no Brasil e que o problema do excesso de peso aumenta entre homens com 40 anos. “Isso é um gatilho para inúmeras outras doenças”.
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Sobre a obesidade no Brasil, a endocrinologista disse que a maioria dos adultos obesos foram crianças ou adolescentes acima do peso. “Por isso, faz-se ainda mais necessário rotular esses alimentos (refrigerantes, bolachas e outros), muito consumidos por essa faixa etária”.
Organização Mundial de Saúde
De acordo com a representante dos nutricionistas, o PL cumpre recomendações da OMS para controle de obesidade e promoção de alimentação saudável. “Mas é necessário também criar uma estratégia nutricional ampla, que inclua campanhas em favor da saúde integral, com alimentação saudável e prática de atividades físicas”.
Ela ainda disse que deve ser feita uma relação de produtos a serem rotulados de acordo com sua composição e não uma lista fechada, em razão do número de componentes que integram os alimentos.
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A mesma opinião é dividida pela representante dos endocrinologistas, que ainda inclui na embalagem os nutrientes do produto e suas conseqüências. “A informação é fundamental. Os alimentos diet, por exemplo, não são necessariamente destinados à perda de peso, mas os consumidores nem sempre sabem disso”.