Aprenda a dizer não: “emprestar” nome para os outros é arriscado

Segundo a ACSP, essa é a segunda maior causa de inadimplência: a concessão de crédito para conhecidos

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SÃO PAULO – Marido, escova de dentes e nome não se emprestam. Baseado nesse ditado, Antonio Candido Azambuja, professor das Faculdades Integradas Rio Branco, alerta a todos aqueles que têm um vizinho, parente ou amigo pedindo para abrir um crediário com seus documentos: não ceda.

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que entre as causas de inadimplência, a segunda mais apontada, já com pouco mais de 10% do total, é exatamente isso: dar “aquela forcinha” para o conhecido que não tem acesso a determinado crédito.

Sem garantia

“Qual a garantia de que a pessoa pagará mesmo a dívida?”, questionou Azambuja. A não ser que o concedente assuma o risco e “venda” o nome para alguém – cobrando por isso – a prática não é aconselhável. “Mas esse não é um serviço que uma empresa forneça. É algo informal”, adicionou o docente.

Segundo Marcel Solimeo, economista da ACSP, a primeira causa do não-pagamento de contas ainda é o desemprego. No entanto, nos últimos dois anos cresceu o porcentual daqueles que tiveram o nome sujo na praça por ceder aos pedidos do tipo.

Dificuldade e má-fé

“Normalmente quem pede crédito emprestado já está com dificuldades. Fazendo novas contas, ele caba se enrolando ainda mais”, explicou Solimeo. “Não que seja de má-fé, mas você concede seu nome em uma situação que não há controle, que não há garantia do pagamento”, adicionou.

Proteção ao crédito

No entanto, não há mais o que fazer. Você já emprestou seu cartão de crédito, seu carnê daquela loja de móveis ou até mesmo pediu um empréstimo no banco para dar o dinheiro àquela pessoa.

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Chegou o dia do pagamento, nada. Agora, seu nome está em listas de proteção ao crédito. O que fazer?

“Sente e chore”

Os dois economistas afirmam a mesma coisa: sentar e chorar. “Não tem o que fazer. Pela lei, foi você quem pediu o crédito e é você quem tem que pagar”, afirmou Azambuja. O máximo possível é, depois de honrar a dívida, tentar reaver o dinheiro com quem você emprestou.

“A primeira coisa que se deve fazer quando alguém pede para utilizar seus créditos é não emprestar”, finalizou Azambuja.