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SÃO PAULO – Para selar o fim de novembro, a última semana do mês contou com os habituais elementos que referenciam os mercados desde a intensificação da crise financeira: fracos indicadores econômicos, preocupante noticiário corporativo e instabilidade generalizada nos mercados globais.
Mas dentro de um cenário amplamente tomado pelo pessimismo, eventos pontuais foram bem recebidos pelos investidores, justamente por resgatarem alguma esperança de melhora no ambiente econômico e financeiro mundial.
Mercados fechados nos Estados Unidos na quinta-feira (27) – celebração do Dia de Ação de Graças, um dos feriados mais tradicionais do país – permitiram ainda que o ajuste do Ibovespa às três expressivas altas do início da semana fosse ameno. Assim, a renda variável doméstica devolveu parte das perdas acumuladas nas três últimas semanas com o robusto salto de 17,1% do índice. Na contramão, o dólar comercial, que vinha de uma semana de apreciação, recuou 5,73% entre 24 e 28 de novembro.
Intervenção e pré-governo de Obama ofuscam indicadores
Se os indicadores divulgados ao longo da última semana de novembro ratificavam o frágil cenário enfrentado pelas principais economias globais, novas medidas intervencionistas e ações do presidente recém-eleito Barack Obama garantiram uma breve esperança de melhoria de ambiente, tanto nos mercados financeiros quanto no lado real da economia.
A semana começou com o anúncio de injeção de US$ 20 bilhões pelo Tesouro norte-americano ao Citigroup e de garantias de US$ 306 bilhões da FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) para os “ativos podres” em posse da instituição financeira. Além de acalmar temores de insolvência e quebra do Citi, o evento garantiu disparada dos papéis de bancos.
Também agradaram as nomeações de Obama para a equipe econômica de seu governo, que terá início em janeiro do ano que vem. Ao encontro das expectativas do mercado, Timothy Geithner sucederá Henry Paulson na secretaria do Tesouro. Lawrence Summers chefiará o conselho econômico nacional, Peter Orszag terá a diretoria da pasta do orçamento e Paul Volcker liderará o comitê criado para controlar a crise financeira.
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Nos pronunciamentos que traziam ao público estes nomes, Barack Obama manifestava apoio às automobilísticas, fomentando a disparada de papéis de GM, Ford e Chrysler, que mostravam esforços em cortar custos para atender às solicitações do Congresso norte-americano para o plano de resgate de US$ 25 bilhões.
Mais intervencionismo nos Estados Unidos com a criação conjunta de Tesouro e Federal Reserve do TALF (Term Asset-Backed Securities Loan Facility), determinando injeção de até US$ 200 bilhões pelo Fed de Nova York em estímulo a empréstimos no varejo, além das garantias de até US$ 600 bilhões ao mercado imobiliário. Na Europa, pacotes de estímulo econômico também causaram euforia nos mercados.
Também roubou a cena o resultado da Black Friday, como é conhecida a sexta-feira posterior à comemoração do Dia de Ação de Graças nos EUA, quando grandes varejistas promovem liquidações para estimular suas vendas de forma que seus balanços saiam do vermelho e entrem no “black”.
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No geral, o saldo da semana foi amplamente positivo às bolsas norte-americanas e européias, com os ganhos dos principais índices destes mercados chegando aos dois dígitos. O índice S&P 500 cravou sua melhor performance semanal em 34 anos.
Do lado econômico, sobraram referências negativas no plano externo, porém deixadas em segundo plano. Dados preliminares do PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano no terceiro trimestre mostram retração de 0,5%, mesmo percentual que a economia britânica recuou em igual período. No setor imobiliário norte-americano, outubro apresentou queda nas vendas de móveis usados e recuo de 11,3% no preço médio dos imóveis. O volume de pedidos e entregas de bens duráveis nos EUA despencou o dobro do esperado, ao passo que a taxa de gastos com consumo marcou a maior baixa desde 2001. Na Europa, a inflação de novembro teve a maior queda desde 1991 e a taxa de desemprego de 7,7% tomou o maior patamar desde janeiro de 2007.
Enfim, valorização
O leque de medidas intervencionistas e bem-recebidas nomeações do time econômico de Obama garantiram, já na segunda-feira, o melhor pregão de novembro ao Ibovespa, estendendo ainda a euforia por mais dois pregões de altas expressivas. Com uma breve trégua do pessimismo que toma conta dos mercados nos últimos meses, a valorização das commodities permitia que as principais blue chips da bolsa brasileira rebatessem as perdas recentes.
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A intervenção governamental não foi exclusividade dos governos norte-americano e europeus: o Banco Central seu continuidade à sua rotina de realização de leilões de contratos de swap cambial, provendo liquidez ao mercado cambial. A autoridade monetária não atuou apenas na quinta-feira em que os mercados dos EUA estiveram fechados.
No quadro corporativo, destaque para o fato de a Petrobras (PETR3; PETR4), alegando “necessidades momentâneas” de caixa, tomar linha de crédito de US$ 2 bilhões junto à Caixa Econômica Federal.
A agenda doméstica, por sua vez, trouxe os resultados do IPC-S, IPC-Fipe, IGP-M e IPCA-15, este último com alta acumulada de 6,54% nos últimos 12 meses, acima do teto da meta estabelecida pelo governo. Além disso, a turbulência dos últimos meses foi refletida na confiança do consumidor, que mostrou queda de 4,2% entre outubro e novembro e ficou em 96,9 pontos – menor nível da série histórica, iniciada em setembro de 2005. Já o ICI (Índice de Confiança da Indústria) registrou uma variação negativa de 19,4% entre outubro e novembro, ficando ao seu nível mais baixo desde julho de 2003.
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Ibovespa sobe 17%; dólar comercial a R$ 2,32
Devolvendo parte das perdas acumuladas nas três últimas semanas, o Ibovespa teve quatro altas expressivas nas cinco sessões da última semana do mês, registrando valorização de 17,1% no período de 24 a 28 de novembro, aos 36.595 pontos. No mês, o benchmark teve queda de 1,77%, enquanto a desvalorização chegou a 42,72% em 2008.
O clima mais ameno dos mercados e a intensa intervenção do Banco Central com seus leilões de contratos de swap cambial tiveram maior peso no comportamento do mercado cambial. As três quedas do início da semana garantiram que o saldo no acumulado da semana fosse de depreciação de 5,73% do dólar frente ao real. A cotação ficou em R$ 2,32. Em novembro, a divisa norte-americana subiu 7,41% frente à moeda do Brasil.
A taxa dos contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2009, que vem apresentando maior liquidez, ficou em 13,50% na sexta-feira, leve queda de 0,02 ponto percentual diante do valor do final da semana passada. Já a taxa anual do CDB pré-fixado de 30 dias fechou a 13,53%, com alta na passagem semanal.
Confira os destaques da agenda da primeira semana de dezembro
Dentro do calendário econômico da primeira semana de dezembro, os investidores estarão atentos, sobretudo, aos dados do mercado de trabalho norte-americano de novembro e ao Livro Bege do Fed, que traz as percepções do colegiado quanto ao desempenho atual da economia norte-americana.
No cenário nacional, o destaque para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de novembro. O indicador orientará novas percepções sobre o controle da inflação doméstica.