Faixa Cidadã: resultados e repercussões do primeiro mês do projeto

CET divulga o balanço dos primeiros 30 dias; motoboys não aprovaram a Faixa Cidadã, segundo o sindicato

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SÃO PAULO – Os motociclistas da capital de São Paulo ganharam, na última semana de julho (dia 24) deste ano, faixas preferenciais em algumas das principais vias da cidade.

As avenidas Eusébio Matoso e Rebouças e da rua da Consolação tiveram losangos verdes pintados a cada 200 metros na segunda pista da esquerda, ao lado da exclusiva de ônibus, o que as identifica como preferenciais para motos.

Ser preferencial, e não exclusiva, significa que os motoqueiros podem entrar e sair da pista à vontade, assim como os motoristas de carros, sem serem multados por isso.

Objetivos do projeto

Um dos objetivos do Projeto Faixa Cidadã, da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), que ficará seis meses em fase de testes, é amenizar a tensão entre os dois grupos.

A principal meta, no entanto, é diminuir o alto número de acidentes envolvendo motos, já que, apesar de representarem apenas 10% da frota municipal em 2005, foram responsáveis por 22,9% dos acidentes no período, que resultaram em 345 mortos.

Segundo o balanço dos 30 primeiros dias feito pela CET, apenas 15% dos acidentes envolvendo motos no período ocorreram na faixa preferencial. Quanto à aderência dos motociclistas, foi observada alta entre 5 e 10 pontos percentuais na utilização da Faixa Cidadã entre o registrado na primeira semana (terminada em 29 de julho) e a passada (terminada em 27 de agosto).

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Motoboys não aprovaram o projeto

No entanto, o projeto não agradou aos motociclistas. Segundo Walter José dos Santos, presidente do sindicato que representa os motoboys (Seedesp), 80% da categoria não aprovou.

Para eles, uma faixa preferencial não funciona, já que os carros podem circular livremente por ela. “É tapar o sol com a peneira”. Ainda que fosse transformada em exclusiva, o problema não estaria resolvido. Santos acredita que isso causaria mais confusões com o motorista, que já tem uma pista a menos por causa dos corredores de ônibus.

É a abertura desses corredores para as motos que o sindicato defende, como proposto no PL 218/05, de Jooji Hato (PMDB), que foi vetado em 5 de julho deste ano (2006), entre outros motivos, por contrariar o objetivo inicial das faixas de ônibus, que é de priorizar o transporte público. Apesar do veto, o sindicato continua na luta.