Propaganda de remédio pode induzir à automedicação, alerta especialista

O ato de tomar medicamentos sem indicação médica faz com que os casos de doenças e internações aumentem a cada dia

Publicidade

SÃO PAULO – De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo, Dr. Cid Carvalhaes, o estímulo provocado pelas propagandas de medicamentos pode levar os pacientes a se automedicarem.

E o ato de tomar remédios sem indicação médica faz com que casos de doenças e internações aumentem a cada dia. “Quem receita é o médico, não a televisão ou o rádio”, argumenta Carvalhaes.

Propostas

Para que estes casos não aumentem, os médicos defendem que as propagandas nos veículos de comunicação e nas farmácias e drogarias sejam proibidas. “As propagandas enaltecem os benefícios e exageram as qualidades dos medicamentos, nem sempre verdadeiras”, aponta o especialista.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

“A repetida frase veiculada no final de cada anúncio, que diz que ao persistirem os sintomas o médico deve ser consultado, é um absurdo, pois admite que o remédio é inócuo e que seu uso pode mascarar o efeito da doença”, adverte Carvalhaes.

Segundo o presidente do Sindicato dos Médicos, a proposta da classe é de veicular uma publicidade nos seguintes moldes: “antes de utilizar qualquer medicamento, consulte um médico. Dessa forma, sua saúde agradece”.

Anvisa

De acordo com um estudo do pesquisador Álvaro Nascimento, do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não têm conseguido evitar que propagandas publicitárias sobre remédios prestem desserviço aos usuários.

Continua depois da publicidade

Para Nascimento, o atual modelo regulatório da Anvisa é ineficaz e tem fortalecido a cultura de automedicação. “A forma e o conteúdo dos anúncios de medicamentos, além de prometerem resultados impossíveis, acabam estimulando o uso irracional de produtos, na maioria das vezes caros e perigosos para a saúde”, aponta.

Segundo dados do Sistema Nacional de Informações Toxicológicas da Fiocruz, os remédios foram o principal agente de intoxicação humana no Brasil: em 2003, foram registrados 13.859 casos, sendo que a média foi de um caso a cada 40 minutos.

Resoluções

E para tentar diminuir a automedicação, a Anvisa proibiu a divulgação de qualquer conteúdo que caracterize propaganda comercial de medicamentos, exceto genéricos, no interior das farmácias e drogarias.

A proibição inclui designações, símbolos, figuras, desenhos, logomarcas, slogans, nomes dos fabricantes e outros argumentos de cunho publicitário de produtos farmacêuticos. Apenas a afixação dos preços de remédios é permitida nesses estabelecimentos comerciais.