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SÃO PAULO – Campanhas educacionais não bastam para reduzir o número de motoristas que dirigem alcoolizados. É preciso aumentar a fiscalização e diminuir a impunidade. Pelo menos é o que sugerem os resultados de uma pesquisa conduzida pela pesquisadora do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Denise De Micheli.
Segundo a legislação vigente, um motorista não pode apresentar uma concentração de álcool no sangue superior a 0,6 gramas por litro, quantidade equivalente a duas doses de uísque (80 ml de destilados), duas taças de vinho (200 ml), ou duas latas de cerveja ou três copos de chopp (600 ml).
Essas, contudo, são apenas indicações, uma vez que a tolerância ao álcool varia de pessoa para pessoa. A pesquisadora lembra, por exemplo, que as mulheres, por terem menos água no corpo, têm menor resistência ao álcool. Além disso, a composição hormonal distinta faz com que o organismo feminino demore mais para eliminar o álcool, sobretudo na semana anterior à menstruação.
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Sem medo da fiscalização
Mas, o fator que mais preocupa no estudo não é a falta de entendimento desses fatores, mas sim o fato de que, mesmo após ser constatado que estavam embriagados, a maioria absoluta dos motoristas optou por continuar dirigindo. Em seu estudo, a pesquisa entrevistou motoristas nas saídas de bares, restaurantes e casas noturnas de São Paulo entre 21h e 05h da manhã.
Após aceitarem que fossem submetidos ao exame de embriaguez, foi constatado que 31% dos entrevistados estavam embriagados, ou seja, com concentração de álcool superior ao permitido por lei. Além do exame, os entrevistados tinham que responder um questionário e recebiam uma cartilha de orientação com informações sobre os efeitos do álcool no raciocínio, percepção e coordenação.
Após serem informados sobre os riscos de se dirigir embriagado, a maioria dos motoristas que estava com uma concentração acima da permitida por lei (85%) afirmou concordar que a bebida interferia no seu desempenho como motorista. Contraditoriamente, contudo, 89% deles afirmaram se sentir em condições de dirigir, enquanto 7,5% optaram por dar as chaves do veiculo a uma outra pessoa.
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Poucos mudaram hábito
Em seu estudo, a pesquisa constatou que os entrevistados não aparentaram estar preocupados com a possibilidade de fiscalização, o que acaba contribuindo para que este tipo de postura se perpetue. Trinta dias após a primeira abordagem, foram contatados por telefone os mesmos motoristas, verificando-se que 91% dos que estavam abaixo do limite e 57% dos que estavam acima do limite mudaram de idéia quanto aos riscos de dirigir após beber.
Ainda assim, apenas 36% do primeiro grupo e 21% do segundo grupo mudaram seus hábitos e deixaram de dirigir após beber. Na visão da pesquisadora, a falta de fiscalização e punição, a ausência de meios de transporte público alternativo em determinadas regiões e horários, e o alto custo dos táxis contribuem para que o motorista continue dirigindo mesmo após ter bebido.