Publicidade
SÃO PAULO – Com cerca de 23 mil horas de interrupções na produção, o Brasil fechou 2004 com 302 greves envolvendo os setores público e privado, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socieconômicos) divulgado na última quinta-feira (13).
A pesquisa mostra que os trabalhadores do setor público foram os que mais promoveram as mobilizações: 185 greves, ou 61,3% do total. Se forem levadas em consideração as horas paradas, essa proporção cresce ainda mais: a esfera pública respondeu por 85,4% de paralisação.
Pressão
Segundo o relatório do Dieese, os trabalhadores públicos mobilizam toda a categoria, enquanto a espera privada organiza suas greves no âmbito das empresas. “Outra possível causa é o arrocho significativo da remuneração do servidores públicos”, supõe o relatório.
InfoMorning
Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
O texto lembra que os trabalhadores da iniciativa privada sofrem maior pressão e correm maior risco de perder o emprego. Eles foram responsáveis pela mobilização de uma média de 3.835 funcionários por greve, enquanto os setores públicos reuniram cerca de 9.953 empregados por paralisação.
Principais motivos
Outro aspecto importante notado pelo Dieese é a motivação das greves no ano passado. Contrariando a década de 90, quando os protestos eram pela manutenção de direitos ou contra o descumprimento deles, no ano passado 65,2% das paralisações eram voltadas para a obtenção de avanços nas relações trabalhistas.
As manifestações de caráter defensivo motivaram 53,3% das greves, enquanto 9,3% das mobilizações foram para protestar e somente 0,3% das greves foram por solidariedade.
Continua depois da publicidade
A reivindicação preferida tanto dos funcionários públicos como dos privados foi por melhor remuneração, tema de 71,9% das mobilizações. Questões como demissões, contratações e ascensão funcional responderam por 46,7% dos protestos. Já a melhoria nas condições de trabalho, as relações sindicais e motivações políticas completam a tabela com 19,9%, 10,9% e 9,6%, respectivamente, dos temas mais freqüentes nas paralisações do ano passado.
Apesar das variadas temáticas, a maior parte das greves registradas não durou mais de um dia. Nas estatais, 67% dos piquetes não ultrapassaram 24 horas. Já as greves levadas a cabo por trabalhadores da União, Estado e Municípios, duraram mais de um dia em 67% dos casos.
O relatório chama a atenção para a greve dos funcionários do Poder Judiciário da Paraíba, que transcorreu por cerca de 115 dias, entre maio e agosto, e configurou-se como a mais longa do ano passado.
Continua depois da publicidade
Resultado das greves
De todas as greves cadastradas pelo Dieese, apenas 82 divulgaram seus resultados. Destas, 57 foram encerradas com acordos, sendo 37 parcialmente satisfatórios, e 25 plenamente satisfatórios.
Outras 27 greves foram interrompidas pela promessa dos empregadores de abrir ou dar prosseguimento às negociações, e em seis paralisações as reivindicações foram negadas aos trabalhadores. Vale dizer que uma mesma greve pode ser finalizada com mais de um resultado, o que justifica o total geral ser diferente da soma das parcelas.