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SÃO PAULO – A inadimplência motivada por cheques sem fundos cresceu 7,60% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2004, atingindo taxa de devolução da ordem de 2,85%, segundo informa balanço realizado pela empresa Telecheque.
De acordo com o vice-presidente da instituição, José Antônio Praxedes Neto, a maior recorrência de dívidas em atraso se deve a uma combinação de fatores, como o aumento da oferta de crédito associado a uma certa frustração no crescimento da renda dos trabalhadores, o que leva os consumidores a uma condição perigosa de endividamento.
Tentação ao consumo
Os empréstimos mais acessíveis fazem com que as pessoas se sintam tentadas a consumir por meio de compras parceladas em inúmeras vezes. Como os ganhos salariais não são compatíveis com os financiamentos ofertados, cedo ou tarde a dívida extrapola o orçamento pessoal. A Telecheque detectou aumento de 0,67% nas transações pré-datadas feitas no primeiro semestre.
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Entre os estados brasileiros, o Amazonas aparece como o local onde houve maior nível de inadimplência no primeiro semestre, com 4,27% dos cheques compensados não apresentando saldo suficiente em conta. Apesar de líder no ranking, a taxa amazonense é 13,68% menor que a de 2004.
Por outro lado, Santa Catarina registrou a menor incidência de débitos pendentes, com apenas 1,94% de cheques sem fundos. Esta taxa, contudo, equivale à alta de 16,97% sobre o ano passado. Já a inadimplência no Estado de São Paulo chegou a 3,28% de janeiro a junho deste ano, elevando-se 4,98%.
Pesquisa detecta aumento de 570 mil cheques sem fundos
A recente expansão da inadimplência no Brasil pode ser conferida também por pesquisa realizada pela empresa Equifax. Segundo esta sondagem, a quantidade de cheques sem fundos aumentou em 570 mil unidades entre os meses de junho deste ano e de 2004, chegando a 3,324 milhões de folhas. A variação equivale a incremento de 21%, o maior já verificado desde 1995.
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Ainda conforme este balanço, os títulos protestados também foram mais recorrentes no sexto mês de 2005, com alta de 13% e totalizando 724,6 mil casos.
Além da combinação perigosa de crédito fácil e renda estagnada, a Equifax acredita que o crescimento da inadimplência se deve também aos sucessivos aumentos da taxa básica de juros, que em maio atingiu 19,75% ao ano, após nove elevações, comprometendo a expansão da economia nacional e, conseqüentemente, os caixas das empresas. Não por acaso, as dívidas em atraso são mais recorrentes entre as pessoas jurídicas.