Telecheque: crédito mais acessível tem estimulado inadimplência

Em junho, quando as compras à vista caíram e as feitas a prazo aumentaram, taxa de devolução de cheques subiu para 2,77%

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SÃO PAULO – A crescente oferta de crédito ao consumidor, sem a contrapartida da evolução da renda dos trabalhadores, somada ao elevado patamar dos juros e à tradicional falta de disciplina financeira dos brasileiros, tem feito as taxas de inadimplência subirem no decorrer do ano.

Taxa de devolução sobe para 2,77%

De acordo com pesquisa mensal da Telecheque, a quantidade de cheques devolvidos por falta de fundos em junho atingiu 2,77% de todas as folhas emitidas no Brasil, parcela maior que a do mês anterior (2,65%) e superior à verificada um ano antes (2,10%).

O crediário facilitado e oferecido muitas vezes sem critério é considerado uma das principais causas deste fenômeno. Para se ter uma idéia, no mês da sondagem os pagamentos à vista feitos com cheque caíram 3,4%, enquanto as compras a prazo aumentaram 1,6%.

Para o vice-presidente da Telecheque, José Antônio Praxedes Neto, as compras parceladas em longo prazo tendem a comprometer significativamente os ganhos dos consumidores, estimulando a inadimplência. Uma prática que pode minimizar este risco é a venda parcelada, mas com exigência de entrada à vista.

Resultados regionais

O estado brasileiro com maior recorrência de inadimplência por cheques sem fundos em junho foi o Rio Grande do Norte, onde a taxa chegou a 5,83%, após subir 1,45 ponto percentual em relação a maio e 2,29 p.p. diante do mesmo mês de 2004. Neste ranking, logo atrás aparecem Mato Grosso (4,82%) e Amazonas (3,69%).

Por outro lado, Goiás foi o estado que apresentou menor freqüência de devolução de cheques em junho, com taxa de 2,04%. Apesar da colocação favorável, o resultado indica alta de 0,03 ponto percentual sobre o mês anterior.

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Outras localidades com baixa incidência de cheques sem fundos foram Rio Grande do Sul (2,06%, queda de 1,05 ponto percentual sobre maio) e Santa Catarina (2,10%, 0,20 ponto percentual menor que a do mês anterior).

Cabe ressaltar que no sexto mês do ano a inadimplência em São Paulo atingiu 3,79% dos cheques emitidos, parcela 0,43 p.p. superior a de maio e 0,93 p.p. maior que a de 2004.