Mais de 10 milhões “limparam” nome em 2004

Número de pessoas que deixaram o cadastro de inadimplentes da Serasa é recorde; queda no desemprego e aumento de renda são responsáveis pelo resultado

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SÃO PAULO – O aquecimento da economia brasileira em 2004 contribuiu para que um número recorde de pessoas retirassem seus nomes do cadastro de inadimplentes da Serasa. De acordo com a empresa, ao longo do ano passado 10,2 milhões de pessoas saíram da lista, uma quantidade 5,2% superior à verificada em 2003.

Apesar desta variação positiva, outros 12,72 milhões de consumidores foram incluídos no banco de dados da inadimplência no mesmo período, fazendo com que o total de maus pagadores catalogados pela Serasa aumentasse em 2,5 milhões. No ano anterior, este acréscimo havia sido de 2,57 milhões.

Emprego e renda são responsáveis pela melhora

Segundo os técnicos da Serasa, o aumento substancial do número de baixas do cadastro no ano passado decorre da abertura de novas vagas de trabalho e conseqüente redução do desemprego, assim como da melhora da massa salarial dos consumidores em 2004. O conjunto destes fatores proporcionou maior capital aos devedores, que puderam quitar pendências atrasadas.

Outra causa apontada pela Serasa é a opção do consumidor por regularizar suas dívidas e trocá-las por vencimentos mais baratos, como o crédito consignado em folha de pagamento.

Ainda de acordo com a empresa, com a saída recorde de pessoas da lista de devedores, haverá um aumento significativo na capacidade de consumo das famílias brasileiras, o que deve influenciar positivamente o crescimento futuro do PIB (Produto Interno Bruto).

Mudança de perfil

A pesquisa mostra ainda que a composição das dívidas em atraso tem mudado no decorrer dos anos, o que reflete alterações também no comportamento dos consumidores.

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Enquanto em 2000 os cheques sem fundo representavam 48% do total de inadimplentes, no ano passado esta parcela ficou apenas em 35%. Em contrapartida, as pendências com cartões de crédito e financeiras passaram de 24% para 32% no mesmo período. Outra categoria que aumentou sua participação nos últimos quatro anos foi a que engloba dívidas no sistema financeiro, cujos registros saltaram de 16% para 28%.