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SÃO PAULO – Mais de uma hora se passou entre a primeira tsunami que atingiu o litoral da Indonésia e as ondas subseqüentes que invadiram a costa da Índia. Ainda que seja muito difícil prever este tipo de desastre natural, especialistas acreditam que um sistema mais eficiente de alerta poderia ter possibilitado a sobrevivência de pelo menos parte das mais de 250 mil vítimas desta tragédia.
Apesar de não ter sofrido diretamente o efeito dessas ondas gigantes, o Japão está sujeito a esse tipo de acidente, tanto que nesta quinta-feira (24), o Ministério dos Transportes e Infra-Estrutura anunciou que está estudando o desenvolvimento de um sistema de transmissão de alertas usando tecnologia celular.
No sistema atual de alerta, as informações são transmitidas através de rádio e televisão, o que não protege quem não tem acesso a estes meios, como é o caso dos banhistas no mar e dos turistas.
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Informações, análises e recomendações que valem dinheiro
Trens, carros e até embarcações
O uso de tecnologia celular permitiria, por exemplo, que motoristas e operadores de trens das áreas sujeitas a risco de tsunamis pudessem ser rapidamente informados em caso de um novo desastre. O governo estuda a possibilidade do novo sistema de alerta incorporar barcos e cargueiros de regiões sob risco.
Apesar do sistema de trem já estar programado para automaticamente parar em caso
de um terremoto de grande escala, o mesmo não ocorre nos casos de tsunami, em que cabe ao operador do trem decidir se vai ou não manter o serviço nas regiões sob risco de acidente.
Daí a importância de se desenvolver um sistema mais ágil de alerta, que possa mantê-los informados. O sistema em estudo permitiria a informação instantânea sobre horário, intensidade e localização das tsunamis.
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Dentre os especialistas que compõem o painel responsável pela elaboração de recomendações sobre o que pode ser feito para minimizar as perdas causadas neste tipo de situação, está o diretor do Instituto de Pesquisa de Desenvolvimento de Sistemas para Redução de Desastres, da Universidade de Kyoto, Yoshiaki Kawata. O painel deve apresentar suas recomendações em um mês.
Regiões sob risco testarão novo sistema
Mas, não é só no desenvolvimento da nova tecnologia que o Japão tem investido. Segundo fontes do Ministério de Transportes e Infra-Estrutura, o País está estudando uma estratégia de reconstrução que permitiria que as vítimas de áreas devastadas pelas tsunamis possam ser transferidas para outros locais, menos sujeitos a risco.
A partir do início do ano fiscal de 2005, que começa em 1o de abril próximo, o governo japonês já pretende adotar medidas de proteção no litoral do Oceano Pacífico, mais precisamente nas regiões de Nankai, Tonankai e Tokai, que são mais sujeitas a tsunamis, e que serviria para testar o novo sistema de alerta.