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SÃO PAULO – Se você estiver pensando em parcelar suas dívidas no cartão de crédito ou cheque especial, pare e reflita! Uma estimativa da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), calculada com base no total de empréstimos concedidos e taxa média adotada no decorrer de 2004, apontou que o volume de juros cobrados por essas modalidades de financiamento foi de aproximadamente R$ 118,7 bilhões no ano passado.
Desse total, a maior parcela foi paga pelos consumidores, que juntos arcaram com gastos da ordem de R$ 71,1 bilhões em juros, ou uase 60% do total recebido pelos bancos. O restante, cerca de R$ 47,6 bilhões, teria sido pago pelas empresas.
Bancos cobram triplo do que pagam por dinheiro
O Brasil continua, segundo a Fiesp, um dos países mais caros do mundo para se contratar crédito. O spread bancário, que é calculado como sendo a diferença entre o que os bancos pagam pelo dinheiro que seus correntistas depositam e o que cobram nos empréstimos que concedem, segue como o maior do mundo.
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Usando os dados da entidade, referentes ao ano de 2004, pode-se constatar que no Brasil os bancos pagam em média 19,2% ao ano em juros aos correntistas que aplicaram seu dinheiro em depósitos. Mas, na hora de emprestar esse dinheiro exigem juros bem mais altos, de 62,9% ao ano.
De maneira simplificada os bancos cobram três vezes mais pelo dinheiro que emprestam do que pagam aos seus correntistas, o que explica a sua lucratividade, e o fato do spread ser de 43,7% ao ano. O spread cobrado no Brasil é quase quatro vezes mais alto do que o cobrado na Argentina (12,4% ao ano) e Rússia (10,8% ao ano), países que ficam com a segunda e terceira colocação no ranking, que é liderado pelo Brasil (43,7% ao ano).
Falta de competitividade no setor
Um estudo do FMI (Fundo Monetário Internacional) levanta a questão da competitividade no setor bancário brasileiro. Desde 1995, o número de bancos tem diminuído, sendo que grande parte do faturamento bancário vem das operações de juros. Na comparação com outros continentes, os bancos da América Latina lucram bem mais nessas operações do que os similares nos Estados Unidos e Zona do Euro.
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Além disso, o reduzido número de bancos e a forte atuação destas empresas no mercado de crédito podem estar gerando práticas não competitivas. Isso estaria concentrando poder de mercado nas mãos de poucas instituições, o que explicaria a baixa, porém cara intermediação financeira. Como conseqüência, os incentivos para oferecerem menores spreads são pequenos, desestimulando a expansão do crédito.