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SÃO PAULO – O setor de habitação pode receber até R$ 22 bilhões em recursos no próximo ano, a estimativa é do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso. A quantia é duas vezes maior do que o total de recursos que se estima que será destinado à habitação no ano de 2004, de R$ 11 bilhões, dos quais apenas R$ 3 bilhões seriam oriundos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).
Assim, os R$ 8 bilhões restantes seriam compostos por recursos provenientes do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e do Orçamento Geral da União para habitação, operados pela Caixa Econômica Federal.
Mais recursos do SBPE em 2005
Para Mattoso, além de contar com pelo menos R$ 10 bilhões que seria o total destinado para habitação no Orçamento da União de 2005, a habitação deve contar com outros R$ 12 bilhões do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo.
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Enquanto os recursos oriundos do Orçamento devem crescer 25%, aqueles vindos do SBPE devem quadruplicar. O forte crescimento no direcionamento do SBPE se deve a uma resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional), que obriga os bancos privados a reduzir o estoque virtual do FCVS (Fundo e Compensação das Variações Salariais), que força os bancos privados a aumentar o volume de recursos captados através da poupança que seriam destinados ao crédito habitacional.
Ainda restam R$ 3 bilhões de 2004
A própria Caixa pretende facilitar a concessão de linhas nos dois últimos meses do ano como forma de conceder os R$ 3 bilhões que ainda restam do Orçamento deste ano, já que até outubro teriam sido concedidos apenas R$ 5 bilhões.
Dentre as iniciativas que estariam sendo impulsionadas o presidente da Caixa cita a linha Carta de Crédito FGTS para a compra de imóveis usados, cuja parcela financiada deve subir de 70% para 90% do valor do imóvel.
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Ainda que louvável do ponto de vista social, a iniciativa é bastante arriscada do ponto de vista de gestão dos recursos da Caixa Econômica, visto que, como a parcela de entrada é menor, o risco associado à concessão do crédito aumenta sem uma contrapartida nas margens.
Este tipo de situação pode se mostrar insustentável no longo prazo. Para tanto vale lembrar que, ao final de 2002, a Caixa foi forçada a suspender algumas das suas linhas de crédito devido às dificuldades financeiras oriundas do descasamento entre ativos e passivos.