IBGE: população de 27% dos municípios brasileiros diminuiu na última década

Estudo revela também que 40% do total de cidades cresceram a um ritmo abaixo da média nacional

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SÃO PAULO – O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta terça-feira (28) o documento “Tendências Demográficas”, que traz a análise dos indicadores demográficos e socioeconômicos básicos apontados pelo censo demográfico de 2000.

Entre os destaques do estudo, está a constatação de que 27,2% dos 5.507 municípios brasileiros apresentaram perda populacional no período que vai de 1991 a 2000. Outras 2.193 cidades, ou quase 40% do total, cresceram a uma taxa de 0% a 1,5% ao ano, ritmo abaixo da média nacional.

Maiores perdas

Do grupo de municípios que tiveram sua população reduzida ao longo da última década, a maioria possuía população abaixo dos 50 mil habitantes e sua população total representava 14,6 milhões de pessoas. Ilhéus (BA), Nilópolis (RJ), São Caetano do Sul (SP) e Teófilo Otoni (MG) são algumas das cidades deste conjunto.

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O estudo do IBGE revelou alguns pólos que concentraram as maiores perdas populacionais; entre eles, estão o extremo norte do Rio Grande do Sul; o oeste de Santa Catarina, em áreas próximas à fronteira com a Argentina; na parte central e no norte do estado do Paraná; e um corredor de municípios que vai de Minas Gerais até a Bahia, entre as BRs 1001 e 116.

Já as cidades que cresceram abaixo da média nacional compreendem muitas capitais populosas que atingirem certo nível de saturação de moradores, como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Porto Alegre (RS) e Vitória (ES). No total, este grupo de municípios compreende 66,1 milhões de habitantes, ou 38,9% da população brasileira.

Crescimento acelerado

Apenas 654 cidades (11,9% do total) expandiram suas populações num ritmo superior a 3% ao ano. Algumas capitais pertencem a este grupo, como Manaus (AM), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Rio Branco (AC), Boa Vista (RR) e Palmas (TO).

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Segundo o IBGE, os principais pólos de crescimento demográfico foram o nordeste e litoral de Santa Catarina, as áreas metropolitanas de São Paulo e Paraná e a área litorânea do Rio de Janeiro. O norte do estado do Mato Grosso também se destacou, assim como Pará e Amapá, com grande fluxo de migrantes nordestinos, e o entorno de Brasília.

Abaixo deste grupo de crescimento populacional acelerado, há um outro conjunto de municípios que aumentaram o número de moradores a uma taxa mais lenta, de 1,5% a 3% ao ano.

Este agrupamento é formado por 1.164 cidades (21,1% do total), com um total de 63,5 milhões de pessoas. Encontram-se entre estes municípios a maioria (15) das capitais brasileiras: Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Curitiba (PR), Belém (PA), Goiânia (GO), São Luís (MA), Maceió (AL), Teresina (PI), Natal (RN), Campo Grande (MS), João Pessoa (PB), Cuiabá (MT), Aracaju (SE) e Porto Velho (RO).

Escolaridade e renda

O relatório do IBGE revela também onde estão os melhores índices de escolaridade do Brasil. Segundo o estudo, a mais elevada taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais (23,6%) pertencia aos municípios que perderam população entre 1991 e 2000. A menor média de anos de estudo (4,5) estava neste mesmo grupo de cidades.

Vale lembrar que, no período em questão, a taxa de analfabetismo no Brasil era de 13,6%, e a média de tempo de estudo estava em 6,2 anos.

Em contrapartida, os municípios que aumentaram o números de moradores a um ritmo de 1,5% a 3% apresentaram os melhores indicadores, como média de anos de estudo na casa dos 6,6 anos. Este conjunto representa as maiores cidades do País, onde também foi registrada a maior incidência de rendimento mais elevados, acima de 20 salários mínimos.

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Um dado revelador mostra que a maior proporção de pessoas ocupadas foi observada justamente naqueles municípios que perderam população.