Quando emprestar dinheiro é inevitável, analise com cuidado suas alternativas

Comodidade do crédito pré-aprovado custa caro e exige planejamento, substituir dívida pode valer a pena

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SÃO PAULO – Você economizou na conta de luz, controlou o uso do telefone, segurou-se para não ceder aos impulsos do consumismo, mas, mesmo assim, seu dinheiro não durou até o fim do mês?

Antes de achar que você é incapaz de gerenciar seu orçamento doméstico e que a sua renda não é suficiente para cobrir as suas despesas mensais, restando-lhe somente a opção de recorrer a um empréstimo para sobreviver até o próximo salário, vale a pena rever seus hábitos de consumo.

Tome cuidado ao contrair mais dívidas

A questão que se coloca é se você efetivamente precisa incorrer em alguns destes gastos naquele momento, ou se não é possível esperar um pouco mais, juntando uma pequena quantia todos os meses, até acumular o necessário.

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Os grandes críticos da sociedade de consumo em que vivemos avaliam que a incapacidade de adiar, ainda que por alguns meses, o impulso consumista é, sem dúvida, o maior problema do mundo em que vivemos. Nesse contexto, contrair novas dívidas para arcar com gastos correntes irá prejudicar ainda mais o equilíbrio do seu orçamento.

Em alguns casos, entretanto, surgem despesas extraordinárias, que não temos como adiar, como, por exemplo, gastos com saúde, acidentes, etc, e levantar um empréstimo pode ser a única saída. Mas, é preciso cuidado! Informe-se sobre as várias alternativas de financiamento, e só então escolha a mais adequada às suas necessidades.

Cheque especial é mais comum

Em termos de linhas de crédito oferecidas por bancos ao consumidor, o cheque especial é, de longe, a modalidade preferida.

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Dados do último relatório de política monetária do Banco Central, referentes a junho, apontavam um volume total de concessões ao consumidor de cerca R$ 30 bilhões. Deste total, metade era composta de operações com cheque especial, 15,8% empréstimo pessoal e 10,6% transações com cartão de crédito.

Desconfie quando tudo for fácil demais

Sem dúvida a opção que exige mais cuidado, dentre as que já discutimos, é a de levantar crédito com financeiras. Em troca de pouca burocracia, essas empresas cobram os juros mais altos dentre as várias modalidades de crédito ao consumidor (12,18% ao mês).

É importante ressaltar que, nesta modalidade, os juros podem variar muito de acordo com o perfil de risco do cliente. Assim, clientes de perfil mais arriscado tendem a pagar taxas ainda mais elevadas do que esta, enquanto nos casos de menor risco a taxa pode ficar em linha com a do cheque especial.

Em geral, essas instituições atraem clientes desesperados, que não possuem conta em banco, e, portanto têm dificuldades de obter outra forma de crédito; ou que precisam de dinheiro urgentemente e não possuem um bom histórico de crédito. Trata-se de uma opção de financiamento que só deve ser usada por quem efetivamente já esgotou todas as outras alternativas acima.

Troca de dívidas

O brasileiro ainda não está acostumado em substituir uma dívida por outra. Aqui não estamos falando de levantar uma dívida para quitar outra, mas sim de aproveitar a queda dos juros, ou uma melhoria no seu perfil de crédito, para levantar um novo financiamento a juros mais baixos.

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Vamos imaginar, por exemplo, uma pessoa que tenha uma dívida de R$ 20 mil e possua um veículo já quitado com valor igual ou superior. Nesse caso, uma alternativa seria vender o automóvel para regularizar a sua pendência e depois financiar a compra de um outro automóvel.

Apesar dessa prática não eliminar a dívida, garante o pagamento de juros bem menores do que aqueles que você pagaria num empréstimo pessoal, por exemplo. Afinal, a taxa média de juros nos financiamentos de automóveis é de cerca 3,6% ao mês, muito abaixo, portanto, das taxas do empréstimo pessoal. Raciocínio semelhante vale para quem está atolado no cartão, ou no cheque, e pode, por exemplo, quitar a dívida com um empréstimo pessoal, a juros mais baixos.