Nem Lula nem Bolsonaro têm capacidade de propor soluções para os atuais desafios do Brasil, dizem economistas

Para economistas, soluções para os problemas do país já são conhecidas, mas são difíceis de serem aplicadas e nenhum governante quer realizar as mudanças

Rodrigo Tolotti

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SÃO PAULO – Se atualmente o Brasil já está mergulhado em um grave problema fiscal, agravado pelo atraso da definição do Orçamento, conforme 2022 se aproxima a situação tende a ficar cada vez mais delicada com o crescimento do debate sobre as eleições presidenciais.

E com as pessoas discutindo entre a manutenção de Jair Bolsonaro ou a volta de Lula ao poder agora que ele se tornou novamente elegível, para alguns dos principais economistas do país, nenhum dos dois parece ser o melhor caminho para levar o Brasil para frente.

“A gente precisa de alguém que olhe para os problemas e resolva. Não é uma terceira via, precisa ser a primeira via, a única via”, disse Luiz Fernando Figueiredo CEO da Mauá Capital durante o evento Super Lives – 1 ano de pandemia, série organizada em parceria pelo InfoMoney e pela XP.

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Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, também participou do evento e disse que anulou seu voto na eleição de 2018 e que, se necessário, irá anular novamente no ano que vem.

“Acho que nenhum dos dois [Lula e Bolsonaro] tem capacidade de propor soluções para os desafios que estamos enfrentando. O atual presidente não tem compromisso nenhum com a agenda do ministro da Economia [Paulo Guedes] e se engana quem acredita que o Lula irá se mover para o centro”, avalia ele.

Já Pedro Jobim, sócio da Legacy Capital, que completou o time de especialistas na live, aponta que a eleição de 2022 ainda está aberta e há a possibilidade de encontrarmos uma solução para o país. Segundo ele, entre as reformas que o novo governo terá que fazer com urgência está uma administrativa ainda mais forte já que, para ele, isso não será feito no um ano e meio que resta do atual mandato.

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Para ele, essa reforma é importante porque é preciso colocar funcionários públicos e da iniciativa privada em um mesmo patamar de direitos e estabilidade no cargo. Como contraparte para isso, ele diz que poderia haver uma diminuição da carga de impostos, já que não haveria mais a necessidade de sustentar os gastos do funcionalismo público. Por outro lado, ele alerta que essa é exatamente a dificuldade de se realizar esse processo.

“Terá de haver um outro mecanismo para contenção de gastos, mas eu não sei qual será”, diz, alertando que, no atual cenário, sem reforma, será inevitável falar sobre aumento de impostos no Brasil, assim como tem ocorrido em outros países, como os Estados Unidos.

“A sociedade vai ter que pagar mais impostos [para sustentar os gastos do governo], mas quem é que vai pagar?”, questionando se quem iria arcar com a elevação das taxas seriam as empresas ou a população geral.

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Para Jobim, entre os pontos mais importantes a ser feito por um próximo governante do Brasil está atacar os privilégios, como a questão do foro privilegiado para autoridades, que ele lembra ser algo que não existe em nenhum lugar do mundo e que gera insegurança jurídica no país e atrasa discussões mais importantes.

Já Schwartsman diz que a solução já está dada e que este não é o problema, mas sim realizar as mudanças necessárias. “O nível de distorção é tão estúpido no país, que se resolvesse isso o Brasil ia voar baixo […] A gente sabe o que é certo, mas ninguém faz”, avalia.

Em tom bastante pessimista, o ex-diretor do BC diz que, enquanto o Brasil seguir sem fazer as reformas e mudanças necessárias, não terá jeito de melhorar a situação. “É tudo muito fácil de formular [as soluções], mas difícil de fazer”, diz ele. “Acho que a gente perdeu esse trem e não vamos conseguir pegar mais”.

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Apesar de concordar com a situação complicada do país, Figueiredo, por outro lado, discorda do tom pessimista e acredita que a população não deixará o cenário de manter como está.

“Há um excesso de privilegiados. E a nossa elite é muito ruim, eles se juntaram e estão sangrando o País […] A população não aceita mais isso”, afirma o CEO da Mauá. “Está claro o que precisa ser feito, o problema é a vontade de fazer”, afirma, avaliando ainda que o país foi “capturado” por uma elite que quer viver às custas do estado.

Mesmo assim, a visão dele é mais otimista: “Não acho que a gente vai se esborrachar antes das coisas começarem a dar certo”, conclui. Assista à conversa na íntegra no vídeo acima.

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Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.