Banco Central estuda criação de cadastro único para cheques roubados

Objetivo é evitar que as pessoas tenham seus nomes incluídos no CCF por conta de cheques emitidos por estelionatários

Publicidade

SÃO PAULO – As pessoas que tiverem talões de cheques ou outros documentos bancários roubados ou furtados contarão com uma proteção a mais como forma de evitar maiores constrangimentos e dores de cabeça no futuro.

Acontece que o Banco Central do Brasil, em conjunto com o Ministério da Justiça, pretende criar um cadastro central que conste informações sobre estas ocorrências. Assim, com o cadastro o BC passaria a exigir das instituições financeiras que consultem o cadastro antes de iniciar o relacionamento com um cliente, medida esta que funcionaria de forma eficaz na redução do volume de cheques sem fundos.

BC teme utilização das contas para lavagem de dinheiro

Segundo a chefe da consultoria técnica do BC, Flávia Carneiro Micali, a autoridade monetária tem se preocupado com o grande número de pessoas que são prejudicadas pelos roubos e furtos de cheques. Micali afirmou que há uma expressiva quantidade de pessoas que tem o seu nome encaminhado para o Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) por conta das ocorrências.

Acontece que parte das vítimas só toma conhecimento do roubo ou perda dos documentos muito tempo depois do fato ter acontecido, o que significa que neste intervalo há tempo hábil o suficiente para que estelionatários utilizem os cheques, já que os mesmos ainda não foram sustados pelo seu dono. O resultado desta “distração” acaba sendo a devolução do documento por insuficiência de fundos e muitos problemas pela frente.

Outro receio do Banco Central, mencionado por Micali, diz respeito à utilização das contas correntes das pessoas que perderam ou tiveram seus documentos bancários roubados para a prática de crime financeiro, como, por exemplo, a lavagem de dinheiro. O projeto ainda está em estudo pelo BC que tem discutido o assunto com diversos bancos do setor.