Procon quadruplica multas aplicadas em supermercados irregulares

Problemas de validade dos produtos e diferença de preços são grandes; punição pode chegar a R$ 3 milhões

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SÃO PAULO – Após constatar irregularidades em 91,79% dos estabelecimentos fiscalizados, a Fundação Procon-SP decidiu apertar o cerco contra estas empresas. Entre janeiro e agosto, a Fundação visitou 134 estabelecimentos, dos quais 123 estavam irregulares, sobretudo no que diz respeito à validade e preços dos produtos comercializados.

Em média, foram verificados cerca de 400 itens por local visitado, entre os quais foram levantados 980 itens em situação de irregularidade. A validade dos produtos foi o motivo da autuação de 52,65% dos produtos; os preços irregulares, por 40,40%.

Procon não assina proposta dos supermercadistas

O Procon havia recebido um documento preparado pelos representantes dos supermercadistas de São Paulo, analisado também pela Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, cujas propostas contidas nele teriam como objetivo principal sanar os principais problemas que mais afetam os consumidores.

No que se refere ao prazo de validade contido nos produtos (muitas não apresentam a indicação) ou à comercialização de produtos vencidos, o documento não deixou claro como os problemas neste sentido poderiam ser resolvidos, um dos motivos que levou o Procon e a Secretaria a não assinarem o documento.

Segundo o diretor executivo da Fundação Procon-SP, Gustavo Marrone, a questão da validade dos produtos é uma das mais importantes para a Fundação e os supermercadistas simplesmente a ignoraram.

Por este motivo, as punições neste sentido foram aumentadas, alteração esta que passou a valer desde sua data de publicação no Diário Oficial, prevista para o último sábado, dia 18 de outubro. Sendo assim, as multas foram dobradas, passando de nível 2 para nível 4 (em uma escala de 0 a 4) no caso de produtos com validade vencida e de 1 para 4, quando se tratar de falta de informação de validade no produto. Para o nível 4 de gravidade a multa aplicada chega a R$ 3 milhões.

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Ainda de acordo com as ações que serão implementadas contra o problema da validade dos produtos, o Procon deverá tomar uma atitude mais drástica: destruirá ou incinerará dentro do próprio estabelecimento todos os produtos vencidos. Quem insistir no erro, poderá ser fechado pelo Procon.

Instalação de “tira-teima”

Outro problema relativamente comum nos supermercados é a diferença de preços entre as gôndolas e o caixa. A gravidade deste tipo de infração também foi reclassificada pelo Procon, passando de 1 para 4.

Além das mudanças no que se refere à reclassificação das multas, a Fundação acrescentou ainda na contra-proposta enviada aos supermercadistas, que sejam disponibilizadas máquinas de leitura ótica de acordo com o tamanho do estabelecimento; trata-se dos chamados “tira-teima”. Acima desta área, será instalado um leitor ótico a cada 400 metros quadrados, somados aos equipamentos já existentes.