Tesouro Direto: taxas dos títulos públicos operam sem tendência definida nesta segunda-feira

Maior previsão de aumento da taxa Selic nesta semana e IBC-Br estão em pauta no Brasil, em meio ao acompanhamento dos casos de Covid-19

Lucas Bombana

(Getty Images)
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SÃO PAULO – Após dias de forte volatilidade na semana passada, as taxas dos títulos públicos negociados pelo Tesouro Direto operam sem tendência na tarde desta segunda-feira, com queda entre os prefixados e estabilidade nos indexados à inflação.

Entre os prefixados, o prêmio do papel com vencimento em 2024 era de 7,54%, contra 7,59% no fechamento de sexta-feira. Da mesma forma, o juro pago pelo Tesouro Prefixado 2026 recuava de 8,09% para 8,01%.

Entre os títulos atrelados à inflação, o papel com vencimento em 2026 pagava uma taxa real de 3,14%, ante 3,13% no último fechamento. No caso do Tesouro IPCA+ com juros semestrais 2030, o prêmio era de 3,49%, ante 3,48% na sessão passada.

Oportunidade com segurança!

Confira os preços e as taxas atualizadas de todos os títulos públicos disponíveis para compra no Tesouro Direto nesta segunda-feira (15):

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Fonte: Tesouro Direto

Juros e inflação no radar

Entre os destaques do dia na agenda doméstica, o boletim Focus divulgado nesta manhã mostrou que, com uma pressão inflacionária cada vez maior, a tendência é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se veja forçado a subir a taxa Selic em um ritmo mais forte do que o previsto inicialmente.

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No encontro que se inicia nesta terça-feira para definir a taxa Selic para os próximos 45 dias, a expectativa é a de que o Copom inicie o processo de alta da taxa de juros com um aumento de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 2,50% ao ano no anúncio de quarta-feira.

No Focus da semana passada, a estimativa dos economistas apontava para uma alta de 0,25 ponto percentual. A projeção é a de que a taxa básica de juros suba para 4,50% ao fim de 2021, também acima dos 4% do último levantamento.

O ponto central está na inflação. Pela décima semana seguida, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 subiu, desta vez de 3,98% para 4,60%.

Ainda entre os indicadores, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), teve alta de 1,04% em janeiro, na comparação com dezembro, superando as estimativas. Já na comparação com janeiro de 2020, houve queda de 0,46%.

A expectativa dos economistas, segundo projeção mediana em pesquisa Bloomberg, era de uma alta de 0,5% na comparação com dezembro, após avanço de 0,64% na medição anterior. Já a expectativa da Refinitiv era de alta de 0,4% frente na base mensal.

Na comparação com janeiro de 2020, o IBC-Br registrou queda de 0,46% e, no acumulado em 12 meses, teve recuo de 4,04%.

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No cenário político, a atenção dos investidores se volta para as prováveis mudanças no Ministério da Saúde. Veículos de imprensa noticiaram no fim de semana que o general Eduardo Pazuello deixará o cargo diante da explosão em casos e mortes pela Covid-19. Os principais nomes cotados para a substituição de Pazuello são os da médica cardiologista Ludhmila Hajjar e do deputado Luiz Antônio Teixeira Jr. (PP-RJ).

Ainda em destaque na cena política está a promulgação da PEC Emergencial na manhã de hoje, o que deve abrir espaço para a edição das medidas provisórias com a liberação de recursos e detalhamento das regras para o pagamento da nova rodada do auxílio emergencial, que deve começar em abril.

Em relação ao combate contra o coronavírus, o governo do Estado de São Paulo entrega nesta segunda-feira mais um lote de 3,3 milhões de doses da CoronaVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac, ao Ministério da Saúde para que elas sejam usadas no Programa Nacional de Imunização (PNI).

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No total, 20,6 milhões de doses já foram entregues desde o início do acordo de distribuição – firmado em 17 de janeiro. O acordo prevê o envio de 46 milhões de doses até o final de abril.

A necessidade de mais vacinas é clara: o Brasil bateu o recorde pelo 16º dia seguido de alta na média móvel de mortes pela Covid-19. Essa média chegou a 1.832 óbitos por dia nos últimos sete dias, segundo dados coletados até as 20h do domingo pelo consórcio de veículos de imprensa.

Os dados mostram que o país teve sua pior semana na pandemia, com 12.795 mortes de segunda (8) até domingo (14).

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Destaques internacionais

No cenário internacional, a sessão é de maior apetite por risco, com as principais altas partindo de ações de empresas que se beneficiam de uma recuperação econômica pós-pandemia, como das companhias aéreas American Airlines e United Airlines.

Esse movimento ocorre depois da aprovação na semana passada do pacote de US$ 1,9 trilhão em estímulos contra os impactos econômicos do coronavírus.

Na agenda global para os próximos dias, o Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) se encontra entre terça (16) e quarta-feira (17) para tratar dos rumos da política monetária americana.

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Alguns analistas esperam que o Fed revise sua previsão para a atividade econômica dos EUA, reagindo ao lançamento do pacote de estímulos sancionado por Biden na última semana.

A pandemia de Covid, contudo, continua a ser motivo de preocupação. O principal conselheiro médico da Casa Branca, Anthony Fauci, alertou no domingo (14) que a batalha dos Estados Unidos com o coronavírus ainda não está “na zona final”, e instou os americanos a aderirem a medidas de saúde pública, em um momento em que diversos países europeus passam por aumentos de casos.

A Alemanha registrou na quinta-feira passada 14.356 novos casos de Covid em 24 horas. No mesmo dia da semana anterior, foram 2.400 casos. Na sexta-feira, Lothar Wieler, chefe da agência alemã para saúde pública, o Instituto Robert Koch para Doenças Infecciosas, alertou: “Nós temos sinais claros: A terceira onda na Alemanha já começou”.

Os planos do governo alemão são de vacinar 80% da população até o início do outono no Hemisfério Norte, no fim de setembro.