Juros do cheque especial voltam a subir em fevereiro

Depois de ficarem estáveis em 8,85% entre maio e outubro, os juros já alcançam 9,13% ao mês em fevereiro, nível mais alto desde junho de 2000

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SÃO PAULO – O Procon-SP divulgou nesta terça-feira (18/2) os resultados da pesquisa sobre as taxas de juros bancárias referentes ao início do mês de fevereiro. O período de coleta dos dados foi de 05 e 06 de dezembro.

No total, treze instituições financeiras fizeram parte da pesquisa: Banco Bilbao Viscaya Brasil-BBV, Banco do Brasil, Banespa, BCN, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Mercantil de São Paulo, Nossa Caixa Nosso Banco, Real, Santander e Unibanco.

Apesar do aumento na taxa básica de juros, a Selic, que em janeiro subiu meio ponto percentual para 25,5% ao ano, os juros dos empréstimos pessoais registraram um ligeiro recuo no início de fevereiro. A expectativa para a reunião do Comitê de Política Monetária é de que a Selic seja novamente aumentada nesta semana, para refletir o aumento da inflação deste mês.

Juros do empréstimo pessoal caem

Depois de quatro meses seguidos em alta, os juros médios dos empréstimos pessoais registraram um modesto recuo neste início de fevereiro. Desta vez, os juros caíram de 6,01% ao mês em janeiro para 5,98% ao mês em fevereiro, um recuo de três pontos base.

A pesquisa avaliou as taxas cobradas nos empréstimos pessoais com prazo de contrato de até 12 meses e nos cheques especiais num período de 30 dias. Os dados levantados pelo Procon só levaram em consideração as taxas máximas pré-fixadas cobradas dos clientes (pessoa física) não preferenciais.

Dentre os bancos analisados, a maior taxa de empréstimo pessoal continua sendo a do Itaú, que desde janeiro de 2002 mantém sua taxa em 6,95% ao mês. Da mesma forma, a Nossa Caixa seguiu oferecendo a melhor taxa, cobrando apenas 3,95% pelo mesmo tipo de financiamento.

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Cheque especial fica mais caro

Mais uma vez os juros do cheque especial subiram, segundo o levantamento do Procon. Depois de aumentarem cerca de 0,26 ponto percentual em janeiro ao atingir 9,11% ao mês, as taxas voltaram a subir em fevereiro, mas com menos intensidade, ao atingir 9,13% ao mês.

Depois de ficarem estáveis entre maio e outubro do ano passado em 8,85% ao mês, os juros subiram pelo segundo mês seguido, chegando ao patamar de 9% ao mês, nível que não era alcançado desde junho de 2000, quando a taxa média era de 9,16% ao mês.

Novamente o Itaú ofereceu a taxa mais alta de cheque especial ao cobrar 9,80% ao mês, taxa que também era cobrada pelo BCN. Por sua vez, a Nossa Caixa também ofereceu a taxa mais atrativa ao cobrar 7,95% ao mês de juros no cheque especial.

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Juros devem permanecer elevados

Apesar da inflação dos preços ao atacado ter dado sinais de recuo, o mesmo não se pode dizer dos preços ao consumidor, que registraram certa aceleração em fevereiro. Com base nisto, o mercado acredita em um novo aumento dos juros na reunião do Copom desta semana.

As projeções dão conta de um aumento da ordem de 0,75 ponto percentual, de forma que a taxa subiria para 26,25% ao ano, e o impacto dos juros mensais seria de 0,062%. Desta forma, o consumidor deve evitar novos empréstimos, pois é provável que os juros permaneçam elevados pelo menos neste primeiro semestre.

Ainda que o conflito no Oriente Médio não aconteça, e as condições externas melhorem, favorecendo uma redução da taxa básica da economia antes do que se imagina, o mais provável é que o repasse para o consumidor só aconteça uma vez que o cenário político-econômico esteja mais claro, o que ainda pode demorar, pois depende de medidas concretas do novo governo.