Financeiras temem aumento da inadimplência no segundo trimestre

Parcela de créditos em atraso está acima da sazonalidade esperada; aumento do salário mínimo é motivo de otimismo

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SÃO PAULO – Apesar do maior otimismo que tomou conta dos mercados nesta última semana, as financeiras estão preocupadas com um aumento acima do esperado da inadimplência a partir do segundo trimestre deste ano.

Diante disto, a maioria das financeiras estaria intensificando a cobrança de débitos em atraso, como forma de evitar uma bolha de inadimplência. Segundo representantes do setor o temor se deve à combinação de juros e inflação elevados, que comprimem cada vez mais o orçamento de boa parte da população.

Atraso supera sazonalidade do período

Segundo informações do diretor executivo da Losango, Leonel Andrade, uma das maiores financeiras do país e associada do grupo Lloyds TSB, em março o total de créditos em atraso por mais de 180 dias (ou seis meses) já era de 9,21% da carteira de créditos concedidos.

Andrade afirma que o grupo estaria trabalhando com a expectativa de que este percentual deva subir acima da sazonalidade do período devido à situação conjuntural desfavorável. A financeira não deve mudar suas regras de concessão de crédito que, segundo o executivo, já são bastante conservadoras. Mas, em contrapartida, deve aumentar o número de cobradores, na tentativa de aumentar o índice de recuperação de créditos em atraso.

Antecipando refinanciamento

Outra financeira que registrou um aumento acima do esperado no volume de créditos em atraso foi a Servloj, empresa que oferece financiamentos para cerca de 600 lojas de varejo e administra cerca de 100 mil crediários.

Segundo o diretor geral da financeira, Oswaldo Queiroz, a parcela da carteira com atraso de mais de 180 dias teria aumentando para 10,8% frente a 10,2% no mesmo período do ano passado. A parcela de créditos com atraso de mais de 30 dias também teria aumentado de 25% em março do ano passado para 28% neste ano.

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São aumentos acima do sazonalmente esperado que preocupam o setor, pois a perda de poder aquisitivo do consumidor não está sendo reposta integralmente através dos reajustes salariais. Na tentativa de recuperar parte dos créditos em atraso a Servloj optou pela antecipação em um mês de sua campanha de refinanciamento da dívida em três vezes sem acréscimos.

Acrefi aposta na melhora do cenário econômico

Por sua vez, o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emílio Alfieri, acredita que apesar da elevação da parcela das carteiras em atraso, a situação não é tão grave como em 1999, quando houve mudança do regime cambial e a taxa básica da economia estava em 40% ao ano.

Alfieri também lembra que o cenário macro-econômico está melhorando e que a queda do dólar deve permitir um recuo da inflação e quem sabe até cortes na taxa básica da economia, que se encontra atualmente em 26,5% ao ano.

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Também otimista está o presidente da Acrefi, associação que reúne as empresas financeiras, pois acredita que a combinação de reaquecimento da economia e aumento do salário mínimo deve permitir que muitos consumidores consigam arcar com o pagamento dos débitos em atraso.