Inadimplência sobe em março e atinge 8,7%, segundo dados do BC

Inadimplência subiu de 8,1% para 8,7%, sendo maior elevação entre pessoas físicas, sobretudo com operações de CDCs

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SÃO PAULO – De acordo com a Nota sobre Operações de Crédito no Sistema Financeiro, publicação mensal do Banco Central, a inadimplência na carteira de crédito com recursos livres, isto é, concedidos com recursos das próprias instituições, e não com base nos recursos captados no mercado, como depósitos, subiu de 8,1% em fevereiro para 8,7% em março.
Com isso, a inadimplência segue em trajetória ascendente desde o início do ano, quando a taxa chegou a 7,9%, abaixo dos 7,7% apurados em dezembro de 2002.
Aumento da inadimplência

No segmento pessoa física, o volume de operações em atraso também manteve-se em alta, movimento que vem sendo verificado desde janeiro deste ano, saltando de 14,9% em fevereiro para 15,7%.
No que se refere à inadimplência entre pessoas jurídicas, relativamente às operações de crédito, a taxa subiu de 4,2% em fevereiro para 4,5% em março, também dando seqüência à trajetória de alta da inadimplência verificada também desde o início do ano.
Maior inadimplência relacionada aos CDCs

Dentre as várias modalidades de empréstimos à pessoa física, a maior taxa de inadimplência ficou com as operações de aquisição de bens, com 22,1% de inadimplência. Em seguida, ficaram as operações de crédito pessoal (15,1%), cheque especial (9,8%) e aquisição de veículos (12,4%).
No caso do financiamento de compra de bens, que incluem basicamente os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) para compra de eletrônicos e linha branca, 11,3% das operações estão com atraso de mais de 90 dias, enquanto 10,8% destas operações estão com atraso de 15 a 90 dias.
Em termos totais, cerca de 7,6% das operações de crédito para pessoa física estão com atraso de mais de 90 dias, frente ao patamar de 7,9% apurado em fevereiro. Por sua vez, as operações em atraso de 15 a 90 dias respondem por 8,1% do total de empréstimos a pessoa física, acima dos 7% registrados no mês anterior.
Mesmo com a adoção de políticas mais conservadoras na concessão de crédito por parte das instituições financeiras, a taxa de inadimplência, principalmente de pessoa física, aumentou, em função das constantes elevações dos juros ao consumidor, associada à queda da renda do trabalhador brasileiro.