Brasileiro perde plano de saúde coletivo e aumenta procura pelo SUS

Aumento das demissões leva esses usuários a perderem o plano e, por falta de condições, excluem o item do orçamento

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SÃO PAULO – O aumento do desemprego tem refletido diretamente na perda da proteção de planos de saúde por cerca de 4 milhões de brasileiros. Pelo menos é o que revelou os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) levando-se em consideração as amostras dos últimos quatro anos.

Usuários caíram para 35 milhões em cinco anos

Como cerca de 70% dos planos de saúde são coletivos, isto é, oferecidos pelas empresas aos seus funcionários, então o aumento do nível de desemprego acabou refletindo na redução desse número de planos.

De acordo com a pesquisa, em 1998 cerca de 25% da população, ou 38,7 milhões de usuários tinham planos de saúde, ao passo que a estimativa para este ano, segundo a Agência Nacional de Saúde (ANS) é de que esse número tenha caído para 35 milhões, ou 20% da população, considerando-se um universo de 175 milhões de brasileiros.

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Por sua vez, as empresas de medicina de grupo também tiveram seu número reduzido. Em 2000 elas somavam 18,4 milhões de usuários e atualmente estão com 16,2 milhões, também devido ao aumento do desemprego e conseqüente perda de usuários.

Planos individuais em declínio

Para o presidente da Abramge (Associação Brasileira de Medicina de Grupo), Arlindo Almeida, a maioria dos usuários que perderam o emprego não contratou um plano de saúde individual, com exceção daqueles que terminaram na economia informal ou optaram pela abertura do próprio negócio para o sustento da família.

Vale lembrar que os grandes prejudicados são os trabalhadores de classe média, que passaram a cortar esses gastos do orçamento, dando prioridade para a compra de itens de primeira necessidade. Nesse sentido, os planos individuais registram quedas expressivas diante da crise enfrentada pelos desempregados.

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Entre os 4,1 milhões de usuários pessoas físicas que existiam há dois anos, restam atualmente 3,6 milhões. Já em relação aos usuários cobertos por seguro-saúde, o número de pessoas caiu 14,7% passando de 6,1 milhões para 5,2 milhões, conforme dados sugeridos pela Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e Capitalização (Fenaseg).

Segundo o diretor de Saúde da Fenaseg, Alceu Amoroso Lima, há cerca de cinco anos os segurados com apólice individual respondiam por nada menos do que 50% da carteira de clientes. Ele lembra ainda que este número atualmente caiu para 30%.

Aumenta fila no SUS

Se por um lado os usuários que ficaram sem o plano de saúde da empresa, em especial aqueles que ainda puderam contar com uma fonte de renda alternativa, migraram para planos mais baratos, por outro lado muitos desses usuários foram parar nas filas do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o número de atendimento nos ambulatórios públicos cresceu significativamente. Enquanto em 1998 foram realizados 4 milhões de procedimentos, em 2002 esse número subiu para 5,5 milhões.