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SÃO PAULO – Nesta quarta-feira (25/6) o governo anunciou um pacote de medidas voltada à expansão do chamado micro-crédito no país. Apesar da escassez de recursos destinados a esta modalidade de financiamento, cujos empréstimos não superam R$ 1 mil, está entre as menos arriscadas do mercado.
O potencial de crescimento do micro-crédito no país fica evidente quando se constata que no Brasil as atividades de micro-crédito correspondem a 1,5% do total de empréstimos bancários do país, enquanto na Espanha (45%), Itália (28%) e Alemanha (20%) este percentual é bem mais elevado.
Inadimplência é bem menor
Pelo menos é o que sugerem os dados de inadimplência divulgados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico) das operações de micro-crédito do país, que estaria em apenas 4,3%.
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Apesar da baixa inadimplência, uma vez que, segundo dados do próprio Banco Central, a inadimplência média das operações de financiamento a pessoa física se encontram ao redor de 15%, este segmento da população tem dificuldades de obter financiamentos.
Em parte a escassez de crédito se deve ao fato desta parcela da população não contar sequer com uma conta bancária, e também porque tanto os bancos quanto as financeiras não adotam mecanismos avançados de análise de risco, que permitam diferenciar as taxas cobradas de acordo com perfil de risco do tomador de empréstimo. Isto significa que os bons pagadores acabam pagando juros mais altos devido à inadimplência entre os maus pagadores.
Empréstimo forçado
Buscando forçar os bancos a entrar neste segmento do mercado, o Banco central anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas que deve aumentar a oferta de micro-crédito no país em cerca de R$ 1,5 bilhão.
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De acordo com o pacote anunciado, os bancos serão obrigados a destinar 2% de todos os depósitos à vista que captarem a esta modalidade de financiamento, mas é possível que este percentual seja aumentado para 4% com o tempo.
Com isto o volume de depósitos à vista disponíveis para os bancos para livre aplicação devem cair, uma vez que de cada R$ 100 captados os bancos já destinam R$ 60 para os compulsórios, R$ 25 para empréstimos agrícolas e agora R$ 2 para micro-crédito.
Os bancos que não cumprirem as novas regras terão que recolher este montante junto ao Banco Central, sem com isto receber nenhum tipo de remuneração, o que na prática significa elevar o percentual de compulsórios.
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O diretor de normas do Banco Central, Sérgio Darcy, lembrou, contudo, que os bancos que não tiverem interesse em atuar neste segmento de mercado poderão repassar este valor equivalente para empresas especializadas. Vale ressaltar que para que as novas medidas entrem em vigor o governo deverá editar uma medida provisória.