Volume de cheques sem fundo aumenta 24% em janeiro

Aumento era esperado, mas preocupa pela magnitude. Só em janeiro foram mais de 3 milhões de cheque devolvidos

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SÃO PAULO – Início de ano é sempre a mesma coisa: vários reajustes de preços e muitos consumidores endividados, que não conseguem arcar com as inúmeras despesas desta época do ano e acabam inadimplentes. Esta tendência foi confirmada em pesquisa realizada pela SCI/Equifax, que afirma que o número de cheques devolvidos de janeiro aumentou 24% em relação a janeiro de 2001.

Aumento da inadimplência preocupa

Apesar de já ser esperado um aumento do número de cheques sem fundo nesta época do ano, o forte aumento registrado no mês passado preocupa não só pela magnitude, mas também pelo fato de que o uso de cheque como meio de pagamento caiu substancialmente nos últimos meses.

Somente em janeiro o volume de cheques emitidos caiu 1,4% frente ao mesmo período em 2001. Desta forma, o aumento do volume de cheques sem fundo sugere uma escalada da inadimplência, isto é, um aumento do percentual de cheques sem fundo sobre o total de cheques emitidos.

90% dos cheques sem fundo eram de pessoas físicas

A situação é ainda mais grave entre as empresa, segmento onde o volume de cheques sem fundo aumentou em 40,3% entre janeiro de 2001 e janeiro de 2002. Entretanto, como do total de 3.501.323 cheques devolvidos apenas 10% pertencia a empresas, podendo afirmar que o aumento mais significativo da inadimplência continua com as pessoas físicas.

Contudo, se compararmos o volume de cheques sem fundo emitidos em janeiro com os dados de dezembro verifica-se um aumento similar tanto para empresas (+9,5%) quanto para pessoas físicas (+9,0%).

Inadimplência aumentou significativamente em 2001

O grande problema dos números divulgados pela consultoria é que eles refletem um forte crescimento do número de cheques sem fundo frente ao registrado em 2001, ano em que o crescimento da inadimplência foi particularmente marcante. De acordo com dados da própria SCI/Equifax, o volume de cheques sem fundo cresceu 36,6% em 2001 quando comparado com o volume registrado em 2000.

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O forte crescimento dos cheques em atraso em 2001 pode ser facilmente explicado pela significativa alta dos juros e pelo fato de que as condições de concessão de crédito ficaram mais rígidas, com redução dos prazos de financiamento. Entretanto, o fraco volume de vendas de Natal como registrado pelo nível de expansão do comércio levou muitos especialistas a acreditarem que o número de cheques sem fundo pudesse ser menos significativo.

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