Fundos de pensão: setor cresceu 18,8% em 2001

Entidades adotaram estratégia mais conservadora, aumentando alocação em fundos de renda fixa para 40% e em títulos públicos para 11%

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SÃO PAULO – De acordo com informações divulgadas pela Abrapp (Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar), os fundos de pensão fecharam o ano de 2001 com R$ 171,15 bilhões em ativos, o que sugere um crescimento de 18,8% em relação ao registrado no final de 2000. Com isto, os ativos do setor já respondem por 15,3% do Produto Interno Bruto do Brasil, um aumento significativo frente aos 13,2% do PIB registrados no final de 2000.

Estratégia conservadora marcou o ano de 2001

No início do ano passado a expectativa do mercado era de que os juros iriam continuar sua tendência de queda, mas a combinação de crise na Argentina, crise política interna e racionamento de energia acabaram pressionando o dólar e levando o BC a subir os juros. Diante do forte aumento dos juros e fraco desempenho do mercado acionário, que fechou seu segundo ano em queda, os fundos de pensão optaram por adotar uma estratégia mais conservadora de investimentos no ano passado.

Com uma carteira de investimentos de R$ 154,578 bilhões, cerca de 40,4% foram investidos em fundos de renda fixa, frente a 36,7% no final de 2000. Também aumentou significativamente a parcela da carteira em títulos públicos, que praticamente dobrou passando de 6,6% em 2000 para 11,3% em 2001. Este é o maior percentual de alocação em títulos públicos praticado pelos fundos de pensão nos últimos sete anos.

Em contrapartida as aplicações em renda variável e ações caíram de 35% para 28,9%, sendo que a maior queda ocorreu nas aplicações em ações, que passaram de 23,6% da carteira no final de 2000 para apenas 18,4% no final de 2001. O percentual investido em ações vem caindo significativamente ano a ano. Em 1998, as aplicações em ações chegaram a responder por apenas por 19% da carteira, percentual que aumentou em 1999 para 26% devido ao início da política de redução nos juros do Banco Central.

Por último, as aplicações em imóveis também diminuíram sua participação na carteira dos fundos de pensão, caindo de 8% para 6,8%. Nos últimos anos os fundos têm reduzido os investimentos em imóveis como forma de aumentar a liquidez de suas carteiras. Para se ter uma idéia, em 1997 o percentual investido em imóveis era de cerca 14%, atrás apenas das aplicações em ações que na época respondiam por 39,1% da carteira.

Carteira deve crescer apenas 9% ao ano até 2005

Apesar do forte crescimento da carteira de investimentos dos fundos de pensão nos últimos sete anos, com uma taxa anual média de quase 13%, as perspectivas de crescimento para os próximos anos são menos otimistas. De acordo com o presidente da Abrapp, Fernando Pimentel, o setor trabalha com a estimativa de alcançar uma carteira de investimentos de R$ 200 bilhões em 2005, o que sugere um crescimento anual de pouco menos de 9%.

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Para Pimentel o menos crescimento esperado deve-se ao fato de que as metas atuariais impostas pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC) são muito rígidas, e se baseiam na variação do INPC, mais juros de 6% ao ano. Pimentel defende uma revisão nestas metas visto que o próprio Governo já trabalha com perspectivas de inflação e juros mais baixas, contudo não acredita em nenhuma mudança no curto prazo. Apesar do bom desempenho do setor nos últimos anos, que consistentemente aumentou sua participação no PIB do país, Pimentel lembra que em países mais desenvolvidos a carteira de investimentos do setor responde por entre 60-70% do PIB, muito mais do que os 12% registrados no Brasil. O setor espera conseguir aumentar este percentual para 20% em 2006.