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SÃO PAULO – O aumento dos juros em 2001 acabou levando a um forte aumento da inadimplência nas compras a prazo, com muitos dos consumidores acabando por não conseguir arcar com os altos custos das prestações. Em 2002 a expectativa por parte do varejo é que os níveis de inadimplência caiam e que as vendas a prazo voltem a impulsionar crescimento do setor.
Inadimplência deve cair em 2002
Apesar de muito preliminares, os primeiros dados divulgados pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) sugerem que a inadimplência pode estar começando a cair no país, pelo menos quando comparada com os níveis atingidos em 2001. De acordo com a ACSP no acumulado dos dois primeiros meses do ano o número de carnês em atraso alcançou a marca de 559.725, cerca de 10,6% menor do que aquele registrado no mesmo período em 2001.
O resultado só não é mais positivo porque se considerarmos apenas o volume de carnês em atraso de fevereiro ainda houve uma evolução (+1,4%) frente ao registrado no mesmo mês em 2001. O volume de atrasos em fevereiro também ficou 7,2% acima daquele registrado no primeiro mês de 2002.
Contudo, quando comparamos os volumes de carnês atrasados em janeiro e fevereiro deste ano com o mesmo período de 2000, verifica-se um aumento de 17,2%. O ano de 2000 foi um ano marcado por baixos níveis de inadimplência devido a política de redução dos juros adotada pelo Banco Central. Como a expectativa para 2002 é de que o mesmo aconteça o comércio varejista já trabalha com a possibilidade de uma redução nos níveis de inadimplência.
Queda da inadimplência, permitiria redução nos juros
Na visão da maior parte dos analistas de mercado o final do racionamento, retomada do crescimento econômico mundial e queda da inflação devem permitir que o Banco Central encontre espaço para novos cortes nos juros, contribuindo para o maior crescimento da economia. Contudo, quedas mais significativas na inadimplência poderão permitir cortes mais agressivos nos juros, favorecendo o crescimento da economia.
Outra forma de ver a situação é que o consumidor endividado em geral compra menos, portanto uma redução da inadimplência significa maiores folgas no orçamento dos consumidores, e conseqüentemente, mais poder de compra.
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Para muitos o aumento da inadimplência nos primeiros meses de 2002, não deve ser considerado como um sinal de que a inadimplência está fora de controle, visto que existe realmente uma sazonalidade nesta época do ano, quando o consumidor tem que enfrentar um acúmulo de gastos, dentre eles, o pagamento de impostos, gastos escolares e vários reajustes, dentre eles o de aluguel.
Na opinião do gerente de cobrança da varejista de roupas Riachuelo, José Antonio Rodrigues, a inadimplência em 2002 já é 25% menor que a de 2001. Para Rodrigues o segredo da queda da inadimplência reside no maior controle da concessão de financiamentos. A taxa média de inadimplência do grupo está em 4%, mas para Rodrigues, uma redução desta taxa permitiria uma redução maior dos juros cobrados no varejo.