Procon: juros continuam altos para o consumidor

Apesar do corte da taxa básica de juros, redução para o consumidor ainda é modesta e só deve começar quando a inadimplência diminuir

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SÃO PAULO – O Procon-SP divulgou há pouco os resultados da pesquisa sobre as taxas de juros bancárias referentes ao início do mês de março. As instituições financeiras que fizeram parte da pesquisa foram o Banco Bilbao Viscaya Brasil- BBV, Banco do Brasil, Banespa, BCN, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Mercantil de São Paulo, Nossa Caixa Nosso Banco, Real, Santader e Unibanco. O período de coleta dos dados foi de 05 a 06 de março.

A pesquisa avaliou as taxas cobradas nos empréstimos pessoais com prazo de contrato de até 12 meses e nos cheques especiais num período de 30 dias. Os dados levantados pelo Procon só levaram em consideração as taxas máximas pré-fixadas cobradas dos clientes (pessoa física) não preferenciais.

Itaú tem empréstimo pessoal mais caro

Ao analisar os juros cobrados nos empréstimos pessoais o Procon constatou que houve uma queda de 0,06 ponto percentual em março. Desta forma, os juros médios que em fevereiro estavam em 5,53% passaram para 5,47% em março. Dentre os bancos analisados a maior taxa cobrada era a do Itaú, que manteve a sua taxa em 6,95%. Em contrapartida, a Nossa Caixa apresentou a melhor taxa cobrando apenas 3,95% pelo mesmo tipo de financiamento.

As duas únicas instituições que reduziram os seus juros foram a Caixa Econômica (de 5,50% para 4,80%) e Santander (de 5,75% para 5,72%). As demais instituições mantiveram as suas taxas no mesmo nível em que se encontravam no mês passado. A seguir as taxas de juros cobradas nos empréstimos pessoais: HSBC, BCN e Bradesco (+5,90%), Unibanco e Mercantil Finasa (+5,80%), Real (+5,75%), Banco do Brasil (+5,30%), Banespa (+5,29%), e BBV (+4,10%).

Taxa do cheque especial se manteve estável

No cheque especial a taxa se manteve praticamente estável e ficou em 8,90% em relação ao registrado no mês passado (+8,91%). Dentre os bancos incluídos na pesquisa a maior taxa cobrada era de 9,50%, que era praticada novamente tanto pelo HSBC como pelo BCN. A Nossa Caixa permanecia como a instituição que cobrava os juros mais baixos dentre os bancos analisados, com uma taxa de 7,95% para o cheque especial.

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Já o Banespa, que em fevereiro havia aumentando em 0,10 ponto percentual a sua taxa no cheque especial, retornou a taxa ao mesmo patamar apresentado em janeiro (8,89%). Nas demais instituições não houve alteração. A seguir os valores cobrados pelos bancos nos cheques especiais: Santander e Real (+9,20%), BBV (+9,00%), Unibanco, Itaú e Mercantil Finasa (+8,90%), Banespa (+8,89%, Bradesco (+8,80%), Caixa Econômica (+8,70%) e BB (+8,30%).

Juros só devem cair se inadimplência baixar

Mesmo com a redução da taxa de juros básica da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, a queda não foi suficiente para provocar uma redução nas taxas de cheque especial e empréstimo pessoal cobradas pelos bancos. A Selic passou de 19% para 18,75%, na última reunião do Copom em fevereiro.

Apesar do próprio presidente do Banco Central, Armínio Fraga, ter declarado que existe espaço para novos cortes nos juros em 2002, estes cortes não deverão ser repassados para o consumidor enquanto não houver uma redução significativa da inadimplência do mercado. Em alguns bancos o nível de inadimplência nas carteiras de créditos chegou a 30%, o que acabou forçando estas instituições a adotar uma política mais restritiva na hora de conceder novos empréstimos. Muitos varejistas já apostam em uma redução no nível de inadimplência para 2002, sugerindo que o volume de protestos nos dois primeiros meses do ano caiu em relação ao registrado no mesmo período em 2001. Enquanto isto não é confirmado e os juros para o consumidor não caírem a melhor opção ainda é evitar a todo o custo os financiamentos.