Número de títulos protestados cresceu 9,9% no acumulado de 2002

De acordo com o estudo nacional da Serasa, inadimplência continua elevada; dados do estado de SP foram excluídos da pesquisa

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SÃO PAULO – O nível de inadimplência continua muito elevado no país, pelo menos é o que revela uma pesquisa recente realizada pela Serasa. Durante os cinco primeiros meses do ano, o número de protestos apresentou crescimento de 9,9% frente ao mesmo período do ano passado. Vale lembrar que o estudo exclui os dados do estado de São Paulo. Sendo assim, esse número poderia ter sido bem mais alto.

Segundo o estudo, no acumulado do ano, foram registrados ao todo 1,9 milhão de protestos tanto de pessoas físicas como jurídicas. Na comparação com o ano passado, os protestos de pessoas físicas apresentaram aumento de 16,1% no acumulado do ano, enquanto os protestos de pessoas jurídicas registraram crescimento mais modesto de 7,6%.

Protestos de pessoas físicas cresceram 26,5% em maio

Em maio, o volume médio de títulos protestados apresentou alta de 17,1% frente ao de maio de 2001. Foram registrados 367,4 mil protestos de pessoas físicas, o que representa um crescimento de 26,5% frente a maio do ano passado, enquanto os protestos de títulos de empresas foram da ordem de 409,7 mil, o que representa uma alta de 9,7% frente ao mesmo período do ano anterior.

Na comparação mês a mês, a Serasa decidiu computar os dados do estado de São Paulo. Já na pesquisa do acumulado do ano, a Serasa continuou excluindo o estado, pois devido a uma mudança na legislação do estado, houve um acúmulo de protestos, visto que os custos processuais deixaram de ser responsabilidade de quem entra com o protesto, sendo transferidos para os devedores.

Mudança na legislação acarretou distorções na pesquisa

Com isso, um grande número de credores resolveu levar os títulos que já estavam há muito tempo vencidos e ainda não haviam sido pagos, provocando uma sobrecarga de títulos de créditos protestados nos cartórios. Segundo a Serasa, depois da mudança, houve um aumento no volume de cheques sem fundo protestados. Essa mudança na legislação ocorreu somente no estado de São Paulo, o que acaba impedindo a comparação com os demais estados, visto que eles continuam cobrando os custos cartorários das pessoas que entram com os protestos.

A queda do poder aquisitivo das famílias é apontada como a principal causa para o aumento da inadimplência das pessoas físicas. A necessidade de garantir o consumo, leva a população a optar pelos financiamentos e crediários. O fato da taxa de juros permanecer num patamar elevado também acaba contribuindo com o aumento da inadimplência, visto que dificulta as vendas dos lojistas e torna mais difícil e oneroso a obtenção de crédito nas financeiras e bancos.

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Situação é preocupante

Segundo a Serasa, a inadimplência ainda não chegou aos níveis recordes registrados em 1995/1996. No entanto, a instituição alerta que os dados já são preocupantes e indicam que é necessário utilizar instrumentos mais adequados de crédito, antes que a situação saia do controle.

A principal mudança proposta pela Serasa refere-se à concessão de créditos. A entidade ressalta que os lojistas, e até mesmo as instituições financeiras deveriam ser mais rigorosos na hora de fornecerem os financiamentos. Prazos extensos e a falta de critérios mais rigorosos acabam contribuindo com a inadimplência.