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SÃO PAULO – Depois de ensaiarem uma retração nos meses de abril e maio, os juros médios ao consumidor voltaram a subir em junho, passando de 7,84% para 8,07% ao mês. Com isto, os juros voltam a ficar próximos do patamar que se encontravam no final de setembro do ano passado, logo após os atentados terroristas nos EUA. Na época os juros subiram de 7,96% para 8,11% ao mês. Os dados são publicados mensalmente pela Anefac, Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade.
Prazo de financiamento também caiu
Não bastasse o aumento nos juros médios cobrados, o prazo máximo de financiamento nos crediários caiu, passando de 36 meses em maio para 24 meses em junho, sendo que o prazo médio caiu de 12 meses para 10 meses. Esta é a primeira vez desde dezembro do ano passado, em que o prazo de financiamento é reduzido.
Na opinião do vice-presidente da Anefac, Miguel Oliveira Ribeiro, como não existe espaço para novos aumentos nos juros, os estabelecimentos comerciais que oferecem crediários optam pela redução do prazo de financiamento como forma de redução do risco de inadimplência, uma vez que o risco aumenta à medida que aumenta o prazo do financiamento.
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Comércio mantém juros
A maioria das varejistas que oferece crediário concorda que nos níveis atuais está impossível aumentar os juros, pois isto implicaria em perda de participação no mercado, que diante da queda da atividade da economia já está bastante competitivo. Algumas empresas, por exemplo, já começam a oferecer descontos maiores nas vendas a vista, além de aceitarem o parcelamento das compras também no cartão de crédito.
Diante desta situação não é de se surpreender que os juros de crediário são os únicos a se manter estáveis há três meses, depois de registrarem queda por nove meses consecutivos. Desde julho de 2001, os juros de crediário caíram de 6,88% ao mês para 6,62% ao mês em abril, nível em que permanecem estáveis desde então.
Quando analisamos os dados por setor pode-se verificar que os juros do crediário só não caíram porque houve um forte aumento nos juros cobrados nos financiamentos de automóveis, que são, de longe, a maior modalidade de financiamento deste tipo. De acordo com a Anefac, os juros cobrados nos financiamentos de carros passaram de 3,04% ao mês em maio para 3,45% em junho.
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Financeiras voltam a aumentar juros
Responsáveis pelos maiores juros cobrados ao consumidor, as financeiras passaram a cobrar ainda mais caro para emprestar dinheiro em junho. Depois de recuarem 0,37 ponto percentual entre março e maio deste ano, passando de 11,63% para 11,25% ao mês, os juros médios cobrados pelas financeiras voltam a subir, alcançando 11,98% ao mês em junho. Com exceção do mês de setembro, quando diante de um possível aumento na inadimplência as financeiras aumentaram os juros para 12,01% ao mês, este é o nível mais elevado dos últimos doze meses.
Os juros das financeiras são mais elevados do que os cobrados nas demais modalidades de financiamento porque atendem à população que não tem acesso a outro tipo de financiamento, devido ao histórico de crédito, ou mesmo devido à renda disponível. Desta forma, os altos níveis de inadimplência acabam sendo compensados pela cobrança de juros mais elevados.
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Bancos também cobram mais pelos CDCs e empréstimos pessoais
Depois de caírem por sete meses consecutivos, desde setembro do ano passado, os juros cobrados pelos bancos nos CDCs (Crédito Direto do Consumidor) subiram 0,41 ponto percentual em junho, passando de 3,76% ao mês para 4,17% ao mês. Com is os juros do CDC voltam em apenas um mês próximo do patamar em que estavam em setembro do ano passado, quando baterem seu nível mais alto nos últimos 12 meses ao atingir 4,21% ao mês.
Estes financiamentos beneficiam-se de juros mais baixos devido ao fato de estarem associados à compra de um bem, que acaba funcionando como garantia do próprio financiamento, reduzindo os riscos para o banco, e conseqüentemente os custos para o consumidor.
Ainda com relação aos empréstimos bancários, os juros cobrados nos empréstimos pessoais junto a bancos subiram 0,19 ponto percentual passando de 5,13% ao mês em maio para 5,32% em junho. Este é o nível mais alto atingido pelos juros de empréstimos bancários nos últimos doze meses, que antes disto haviam atingido seu nível mais alto em janeiro, ao bater 5,27% ao mês.
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Cheque especial e cartão de crédito
Diante do forte aumento nos juros da maior parte das modalidades de financiamento ao consumidor, os juros no cartão de crédito ficaram estáveis em 10,47% ao mês. Por sua vez, os juros do cheque especial voltaram a subir, atingindo 9,86% ao mês em junho, depois de caírem de 9,92% em novembro do ano passado para 9,82% ao mês em maio. Apesar disso, os juros destas modalidades de financiamento, que estão entre as preferidas do consumidor, ainda continuam abusivos, ficando atrás apenas dos juros das financeiras.
Diante dos altos juros cobrados o consumidor deve evitar a todo custo qualquer tipo de financiamento, pois o risco de inadimplência está cada vez mais alto, especialmente diante da queda na atividade da economia, que tem levado muitos trabalhadores a perder seu emprego.