Juros ao consumidor sobem para 4,54% em junho

A boa notícia fica por conta da redução do spread bancário que caiu pelo quarto mês consecutivo e atinge seu nível mais baixo desde julho de 2001

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SÃO PAULO – Os juros médios cobrados nos empréstimos de pessoa física registraram uma ligeira elevação no mês de junho, passando de 4,52% ao mês de maio para 4,54%. Os números fazem parte do relatório do Banco Central publicado nesta quarta-feira (24/07), que acompanha as taxas de juros médias para as principais modalidades de financiamento para indivíduos e empresas.

Spread cai novamente

Apesar do aumento dos juros médios, o spread bancário voltou a cair pelo quarto mês consecutivo. A queda do spread bancário, apesar do aumento dos juros, só foi possível devido a um forte aumento dos juros pagos pelas aplicações financeiras para pessoa física, isto é, no custo de captação dos bancos.

Enquanto os juros de empréstimos subiram 0,02 ponto percentual em junho, os juros pagos nas aplicações subiram de 1,519% em maio para 1,795% em junho, uma alta de 0,276 ponto percentual. Desta forma, o spread bancário caiu de 3,44% em maio para 3,24% em junho, uma retração de 0,20 ponto percentual.

Para quem não está familiarizado com o termo, o spread bancário mede diferença entre as taxas médias que os bancos pagam pelo dinheiro que você aplica com eles, seja através de CDBs ou outros tipos de depósitos, e o quanto cobram nos seus financiamentos.

Apesar de positiva para o consumidor, a queda do spread só não é mais favorável porque foi obtida através do aumento dos ganhos com aplicações e não com a redução dos custos dos financiamentos. Considerando-se que a maioria dos brasileiros é devedora e não investidora, a redução do spread acabou sendo percebida no bolso da minoria dos brasileiros.

Juros dos empréstimos pessoais caem novamente

As operações com crédito pessoal registraram um aumento no volume de operações de 0,60% em junho, ficando praticamente estáveis em R$ 25,432 bilhões, ou o equivalente a 33% do total de financiamentos para pessoas físicas. A boa notícia fica por conta da queda, pelo sexto mês consecutivo, dos juros médios cobrados neste tipo de financiamento. Em junho, os juros dos empréstimos pessoais voltam a registrar forte queda, caindo de 5,12% ao mês em maio para 5,06% ao mês.

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Desde outubro de 2001 os juros nesta modalidade de financiamento caíram de 5,46% para os atuais 5,06%. Diante disto, muitos consumidores acabaram optando por esta modalidade de financiamento, em detrimento do cheque especial. Esta tendência se verifica ao compararmos a taxa de crescimento das operações de crédito pessoal entre outubro e junho, que ficou em 10,72% frente a uma queda de 1,13% nas operações com cheque especial.

Juros do cheque especial sobem

Depois de caíram em maio, os juros do cheque especial voltaram a subir no mês de junho, passando de 8,23% em maio para 8,25%, um aumento de 0,02 ponto percentual.

Dentre as modalidades de financiamento a pessoa física analisadas pelo Banco Central, a de cheque especial registraram o menor crescimento no mês de junho, com uma queda no volume concedido de 3,45%, frente ao crescimento de 0,60% nos créditos pessoais e de 0,73% dos financiamentos de automóveis. Com isto, o volume de operações com cheque especial ficou em R$ 9,105 bilhões, o que equivale a 11,90% do total de financiamentos para pessoas físicas.

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Financiamento de carro mais caro

Seguindo a tendência de alta nos juros nas principais modalidades de financiamento para pessoa física, os juros cobrados nos financiamentos de compra de automóveis voltaram a subir em junho. Desta forma, os juros, que em maio estavam em média em 2,77% ao mês, subiram 0,24 ponto percentual para 3,01% ao mês. Este é o nível mais alto atingido pelos juros desde outubro do ano passado, logo após os atentados terroristas aos EUA, quando os juros bateram 3,19% ao mês.

Com R$ 27,213 bilhões esta é a maior modalidade de financiamento para pessoas físicas, respondendo por 35,56% do volume total emprestado. O aumento dos juros parece ter desanimado o consumidor, uma vez que depois de registrar um crescimento médio entre janeiro e maio de 1,63%, o volume de empréstimos para compra de carro cresceu apenas 0,70% em junho.